Cláudio Castro abandonou o cargo de governador sem ter um vice e sequer presidente da Alerj, mergulhando o estado num caos político sem precedentes. Ele ainda renunciou 24 horas antes de ser cassado. Um golpe para burlar a legislação, numa tentativa frustrada de evitar sua cassação e inelegibilidade, e retirar o direito do povo de escolher o seu novo governador, forçando uma eleição indireta, feita pelos deputados estaduais. Os ministros do STF têm a oportunidade de rechaçar essa clara fraude promovida por Castro com o objetivo de beneficiar a ele e seu grupo político.
A Alerj, infelizmente, encontra-se desmoralizada. Não é pra menos. O histórico é de uma Assembleia onde Rodrigo Bacellar, preso por ligação com o Comando Vermelho e cassado pelo TSE, foi reeleito presidente por unanimidade por seus pares. Uma Assembleia que aprovou soltá-lo da cadeia quando ele detinha foro privilegiado. Também foi a Alerj que manobrou uma votação ilegal que buscou eleger Douglas Ruas como presidente. Tentaram eliminar do caminho até mesmo o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto, derrubando-o do cargo de governador interino.
A trapaça
descarada foi devidamente anulada pelo TJ diante da flagrante ilegalidade. Este
histórico da Alerj representa o jogo do vale-tudo pelo poder, que não respeita
até mesmo a mais alta instância do Judiciário fluminense e tampouco a vontade
popular. Por tudo isso, a Alerj não tem condições de definir os rumos do nosso
Estado hoje. Sendo assim, uma eleição indireta seria um enorme erro. Chegou a
hora dos ministros do STF colocarem um freio de arrumação nessa atual situação
insustentável a qual o RJ chegou. Chega de crise de legitimidade, de caos
institucional e administrativo.
Os ministros do Supremo devem tomar uma decisão conscientes
de que a eleição sendo direta, seja qual for o resultado, não abrirá nenhuma
margem para questionamento do processo de escolha do governador. É o que
defendem diversos juristas. Esse caminho também blinda o STF pois é a única
forma de garantir a legitimidade do já conturbado processo de sucessão estadual
causado por Castro. O povo é soberano. Nada mais justo que a população escolher
o seu novo governador. Deve ser assegurado o exercício pleno da democracia no
RJ.
Os principais pré-candidatos a governador, Eduardo Paes
(PSD) e Douglas Ruas (PL), estão em lados políticos completamente opostos, mas
têm um aspecto de consenso: ambos defendem a realização de eleições diretas. O
pilar central de qualquer democracia no mundo é o voto popular. Depois de tudo
o que aconteceu de ruim no estado, ao menos a soberania do povo precisa ser
respeitada. O estado do Rio de Janeiro não aguenta mais.
RENAN FERREIRINHA foi Secretário Municipal de
Educação do Rio de Janeiro (2021-2026) e deputado federal

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