quinta-feira, 9 de abril de 2026

Evento debate série Emergência Radioativa que retrata acidente em Goiânia


Ao revisitar o acidente com o césio-137, em Goiânia, a série Emergência Radioativa, disponível em plataforma de streaming, trouxe o debate sobre segurança nuclear de volta à agenda do setor e da sociedade e, com ele, uma pergunta que permanece atual: o que sustenta, hoje, a segurança nuclear no Brasil?

 A produção também provoca reflexões sobre como o setor evoluiu nas últimas décadas e quais mecanismos garantem, atualmente, o uso seguro das tecnologias nucleares no Brasil. Afinal, após Goiânia, o que mudou?

 

É nesse contexto que a Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) promove, no dia 9 de abril, às 14h, o debate Entre Memória e Futuro, para discutir os fundamentos da segurança nuclear contemporânea e o papel da regulação. O encontro será realizado na Escola de Comunicação da Fundação Getulio Vargas (FGV Comunicação), em Botafogo, Rio de Janeiro.

 

A programação prevê discussões sobre regulação, transparência e comunicação, três pilares centrais para a construção da confiança pública no setor. Também estarão em pauta as lições deixadas pelo acidente de 1987 e os avanços institucionais e regulatórios implementados desde então.

 

Participam do encontro o diretor-presidente da ANSN, Alessandro Facure; o diretor da série, Fernando Coimbra; o jornalista Paulo Motta, premiado pela cobertura do caso; o físico Walter Mendes Ferreira, atual chefe da Emergência Radiológica da CNEN e o primeiro a identificar o acidente com o césio-137; e o deputado federal Julio Lopes, presidente da Frente Parlamentar Nuclear.

 

Para Facure, a repercussão da série tem o mérito de recolocar o tema em evidência e contribuir para qualificar o debate. Segundo ele, a segurança nuclear vai além da tecnologia e depende de regulação, responsabilidade institucional e cultura de segurança.

 

O presidente da ANSN destaca que as lições do acidente de Goiânia foram incorporadas ao longo do tempo por meio de normas, fiscalização e atuação técnica independente. Hoje, afirma, o Brasil conta com uma autoridade reguladora dedicada exclusivamente à função, um avanço que fortalece o sistema de controle e supervisão.

 

Facure ressalta ainda que segurança não significa ausência de risco, mas a capacidade de controlar, monitorar e responder com rigor, base da confiança da sociedade.
 

O físico Walter Mendes, profissional-chave na história do acidente, destacou que o acidente de Goiânia foi determinante para a consolidação dos protocolos atuais. Segundo ele, a experiência mostrou, na prática, a importância de procedimentos técnicos, treinamento contínuo e integração entre instituições no enfrentamento de emergências. “O que se aprendeu em Goiânia pode ser transportado naturalmente para a área nuclear”, afirmou.
 

Walter ressaltou que as lições do acidente resultaram em avanços estruturais, como o fortalecimento da fiscalização, a criação de normas mais robustas e a definição de mecanismos legais para atuação em crises. Ele também chamou atenção para aspectos como comunicação com a sociedade, preparação das equipes e gestão de situações de pânico. Para o especialista, a série ajuda a revisitar esse aprendizado ao evidenciar como o episódio contribuiu para a construção do atual sistema de resposta a emergências no país.
 

Na mesma linha, o deputado Júlio Lopes defende que o fortalecimento institucional é essencial para o avanço do setor. Para ele, regulação sólida, transparência e diálogo com a sociedade são condições para consolidar a confiança pública e ampliar o uso das tecnologias nucleares em áreas estratégicas como energia, saúde e inovação.
 

Com o olhar de quem acompanhou o caso de perto, o jornalista Paulo Motta recorre ao humor para reforçar a importância da fiscalização: “gato contaminado tem medo de água pesada não fiscalizada”, brinca. “Será uma ótima oportunidade de debatermos como anda a regulação hoje. “Goiânia nunca mais!”, acrescenta.

 

Fernando Coimbra conta que a motivação para fazer uma minissérie sobre o desastre do Césio-137 em Goiânia era “resgatar a memória dessa história tão importante que trata não só de um acidente radiológico, mas de uma síntese da sociedade brasileira”. Muitos aspectos e camadas – segundo ele – são tratadas nessa narrativa, entre elas o papel da ciência brasileira em lidar com um acidente até então inédito. “Para conseguir resumir três meses em 5 horas, foi necessário lançar mão de recursos ficcionais, condensando fatos e personagens, sempre com respeito e responsabilidade”, explica.

 

O encontro é promovido pela ANSN, em parceria com a Escola de Comunicação da Fundação Getúlio Vargas (FGV Comunicação) e a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), com apoio da Frente Parlamentar Nuclear.

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