Com a fiscalização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) entrando em vigor em maio de 2026, as empresas brasileiras têm pouco mais de um mês para se adequar às novas exigências que incluem, pela primeira vez, a obrigatoriedade de mapear, avaliar e gerenciar os riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Esta atualização representa um marco histórico na saúde e segurança ocupacional, dando atenção a fatores como estresse, assédio e sobrecarga aos riscos físicos, químicos e biológicos já estabelecidos.
A inclusão dos riscos psicossociais na NR-1 reflete uma crescente preocupação com a saúde mental dos trabalhadores, impulsionada por dados preocupantes. Em 2025, de acordo com o Ministério da Previdência Social, o Brasil registrou 546.254 afastamentos por transtornos mentais, um aumento de 15,6% em relação ao ano anterior, com ansiedade e depressão sendo as principais causas. Os custos associados a esses afastamentos também são significativos, ultrapassando R$30 bilhões em 2024.
Diante deste cenário, 3 especialistas de companhias referência em saúde e segurança do trabalho alertam para a urgência de implementação de consciência, medidas e estratégias.
1 - Comece imediatamente e paralelize etapas
"Se sua empresa ainda não iniciou, cada dia conta. O processo de contratação em grandes organizações costuma passar por suprimentos, jurídico e segurança da informação. Normalmente, essas etapas acontecem em sequência. No cenário atual, isso é um luxo que você não tem. Converse com as áreas envolvidas sobre a urgência regulatória e busque paralelizar o que for possível. Assessment de segurança da informação pode rodar enquanto o jurídico analisa a minuta. Suprimentos podem acelerar a homologação se entender que é uma demanda de compliance. E não menospreze a etapa de segurança da informação e privacidade. Mapeamento de riscos psicossociais envolve dados sensíveis de saúde, e a LGPD se aplica integralmente. Não é qualquer parceiro que tem estrutura para proteger esses dados com a seriedade que o tema exige”, explica Tatiana Pimenta, CEO e fundadora da Vittude, referência no desenvolvimento e gestão estratégica de programas de saúde mental para empresas.
2 - Saiba traduzir as exigências em ações concretas
“O ano de 2026 marca um ponto de virada importante para a NR-1. A norma amplia o olhar sobre os riscos psicossociais e exige que as organizações atuem de forma mais estruturada e preventiva. Criamos um evento pensado para traduzir essas exigências em ações concretas, com linguagem acessível e foco na prática. Essa vai ser uma habilidade essencial para os gestores: saber como transformar a norma em ações concretas no ambiente de trabalho”, explica Ricardo Mattos, CEO da Vetor Editora, empresa do grupo Giunti Psychometrics.
3 - Utilize benefícios corporativos e dados estratégicos como aliados
"A integração de benefícios corporativos às estratégias de saúde e segurança do trabalho surge como caminho prático e eficaz para atender às exigências regulatórias e, ao mesmo tempo, reduzir impactos como absenteísmo, afastamentos e queda de produtividade. Além disso, relatórios gerados pelos programas corporativos podem apoiar a gestão e a prevenção de riscos psicossociais, permitindo às áreas de RH e saúde ocupacional acompanhar padrões de uso de medicamentos relacionados à saúde mental, identificar tendências e embasar ajustes no Programa de Gerenciamento de Riscos. O cuidado vai além do aspecto emocional e passa por acesso, organização do tratamento e acompanhamento ao longo do tempo”, explica Juliana Camargo, diretora de Gente & Cultura da Funcional, pioneira e líder no desenvolvimento de tecnologias para programas de suporte a pacientes no Brasil.


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