sexta-feira, 24 de abril de 2026

A “folha secreta” do Ceperj e o maior escândalo recente de uso eleitoral da máquina pública no Rio


O escândalo envolvendo contratações vinculadas à Fundação Ceperj e à Uerj revelou um dos episódios mais graves de utilização da estrutura administrativa do Estado para fins político-eleitorais no Estado do Rio de Janeiro nas últimas décadas.

Mais do que irregularidades administrativas isoladas, as investigações conduzidas pelo Ministério Público Eleitoral apontaram para um modelo operacional estruturado de movimentação de recursos públicos que teria funcionado como base de sustentação eleitoral às vésperas do pleito de 2022.


A engrenagem da “folha secreta”

O ponto central do caso não foi apenas o volume de contratações temporárias realizadas fora dos padrões tradicionais de transparência administrativa, mas principalmente a forma como os pagamentos foram operacionalizados.

Foram identificadas 27.665 contratações temporárias vinculadas a projetos executados por meio da Ceperj e da Uerj, muitas delas sem publicação no Diário Oficial.

Segundo o Ministério Público Eleitoral, mais de R$ 220 milhões foram sacados em dinheiro vivo diretamente em agências bancárias, por meio de ordens bancárias individuais destinadas aos chamados beneficiários dos projetos.

A Justiça classificou esse modelo como uma “folha de pagamento secreta”, estruturada de forma a dificultar a rastreabilidade financeira e reduzir a capacidade de monitoramento por órgãos de controle como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras.


Programas públicos usados como fachada

Outro elemento central revelado pelas investigações foi o uso de programas institucionais classificados como “Projetos Especiais” para operacionalizar a distribuição de recursos.

Entre as iniciativas mencionadas nos processos aparecem:

  • Esporte Presente
  • Casa do Consumidor

No papel, esses programas tinham objetivos sociais legítimos. Na prática, segundo o entendimento da Justiça Eleitoral, teriam sido utilizados para descentralizar recursos públicos em bases eleitorais estratégicas às vésperas da eleição.

Esse mecanismo permitiu a criação de uma rede de pagamentos pulverizados, sem vínculo funcional clássico com a administração pública.


O papel da estrutura política do governo

As decisões judiciais relacionadas ao caso reforçam que o modelo não operava de forma isolada dentro da administração, mas estava inserido no núcleo decisório da gestão estadual da época.

A cassação da chapa governamental por abuso de poder político e econômico indicou que a utilização massiva dessas contratações teve impacto direto no equilíbrio do processo eleitoral.

Investigadores passaram a classificar o mecanismo como uma espécie de “rachadinha institucionalizada em escala ampliada”, pela utilização da estrutura estatal para sustentação indireta de projetos eleitorais.


O desfecho no Tribunal Superior Eleitoral

Em março de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral manteve a condenação relacionada ao caso, reconhecendo a ocorrência de abuso de poder político e econômico associado à descentralização de recursos públicos durante o período pré-eleitoral.

A decisão consolidou o entendimento de que houve utilização indevida da máquina administrativa com finalidade eleitoral, reforçando a gravidade institucional do episódio.


Um marco na história recente da política fluminense

Pelo volume de recursos envolvidos, pela quantidade de contratações identificadas e pela sofisticação do modelo operacional utilizado, o caso da chamada “folha secreta” do Ceperj tornou-se um dos episódios mais emblemáticos da história recente da política do Estado do Rio de Janeiro.

Mais do que um escândalo administrativo, trata-se de um alerta institucional sobre os riscos da utilização da estrutura pública fora dos limites da legalidade e da transparência — e sobre a importância do fortalecimento dos mecanismos de controle no processo democrático.

Muro de 14 metros em Minas Gerais viraliza e expõe limites do direito de construir no Brasil

Um muro com quase 14 metros de altura, construído em Passos (MG) para bloquear a visão de um prédio vizinho, viralizou nas redes sociais e levantou uma discussão que vai além da curiosidade: até onde vai o direito de construir dentro do próprio terreno?

A obra, segundo informações divulgadas pela imprensa, teria sido erguida com o objetivo de preservar a privacidade de uma residência que passou a ficar exposta após a construção de um edifício ao lado. O episódio dividiu opiniões entre quem defende o direito à intimidade e quem questiona os impactos causados ao imóvel vizinho.

Para a advogada Helen Salomão, especialista em Direito Notarial, Imobiliário e Registral do RAASA Advogados, o caso ilustra uma dúvida comum, mas com resposta clara na legislação: o direito de propriedade não é absoluto.

“O proprietário tem, sim, o direito de construir e usar seu imóvel, como prevê o Código Civil. Mas, esse direito encontra limites no chamado direito de vizinhança. Ou seja, ele não pode exercer esse direito de forma a prejudicar o outro”, explica.

Segundo a especialista, o artigo 1.277 do Código Civil estabelece que o proprietário pode exigir a cessação de interferências que afetem segurança, sossego e saúde, o que, na prática, inclui situações que impactam diretamente a qualidade de vida.

Outro ponto que costuma gerar confusão é o chamado “direito à vista”. Apesar de amplamente discutido em casos como esse, ele não existe de forma expressa na legislação brasileira.

“A lei não protege a vista em si, mas protege os efeitos que uma construção pode causar. Iluminação, ventilação, privacidade e até a sensação de confinamento são fatores que podem ser analisados juridicamente”, afirma Helen.

É nesse contexto que entra o conceito de abuso de direito. Previsto no artigo 187 do Código Civil, ele caracteriza como ilícita a conduta de quem ultrapassa os limites da boa-fé, dos bons costumes ou da função social da propriedade.

“Não basta estar dentro do seu terreno ou cumprir regras urbanísticas. Se a obra gera um impacto desproporcional ao vizinho, ela pode ser questionada na esfera civil. Cada caso precisa ser analisado individualmente”, destaca.

Mesmo quando uma construção é considerada regular do ponto de vista municipal, isso não impede a discussão judicial sobre seus efeitos na vizinhança.

Para a especialista, o caso que ganhou repercussão nas redes sociais serve como alerta para proprietários e construtores. “O direito de propriedade não é uma autorização irrestrita. Existe um equilíbrio necessário entre proteger a própria privacidade e respeitar a convivência com o outro. Essa linha é definida pela razoabilidade e pela boa-fé”, conclui.

Segurança digital entra em uma nova fase sem senhas


Durante décadas, as senhas foram o principal mecanismo de proteção no ambiente digital. Elas estiveram presentes em praticamente todas as etapas da nossa vida on-line, seja no acesso ao e-mail às compras, dos aplicativos bancários às plataformas de serviços. No entanto, o avanço das fraudes, dos vazamentos de dados e das técnicas de engenharia social colocou em xeque a real proteção que esse modelo oferece.

Em 2025, pesquisadores do site de cibersegurança Cybernews identificaram mais de 19 bilhões de combinações de logins e senhas expostas em cerca de 30 grandes bases de dados acessíveis na internet, reunindo informações vazadas ao longo de diferentes incidentes ao redor do mundo. A análise do portal indica, ainda, que aproximadamente 94% dessas senhas eram reutilizadas ou duplicadas em múltiplos serviços, enquanto apenas 6% eram combinações únicas, um cenário que amplia de forma significativa o impacto de cada vazamento.Esses números evidenciam como o 

modelo tradicional baseado em senhas se tornou um dos principais vetores de risco no ambiente digital. Mesmo com investimentos em mecanismos de defesa, as credenciais continuam sendo o alvo preferencial em ataques de phishing e engenharia social. E, no setor de pagamentos, essa fragilidade ganha uma dimensão ainda maior.

No sistema financeiro, a vulnerabilidade das senhas soma o problema tecnológico ao risco que afeta diretamente a segurança patrimonial e a confiança dos usuários.

O Brasil registrou 10,8 milhões de tentativas de fraudes até setembro de 2025, segundo o Indicador de Tentativas de Fraude da Serasa Experian, com projeção de mais de 14 milhões de ocorrências até o fim de 2025. Bancos e instituições financeiras são alvo de 6 a cada 10 tentativas de golpes cartões. Trata-se de uma ocorrência a cada 2,2 segundos, dados que revelam escala e sofisticação crescente das ações criminosas.

Diante desse cenário, o setor buscou mitigar riscos com múltiplas camadas de proteção, como autenticação multifator, biometria e monitoramento comportamental. A tokenização, por exemplo, representou um importante avanço ao substituir informações sensíveis, como o BIN do cartão, por códigos temporários sem valor fora daquele contexto, reduzindo o impacto de vazamentos em transações.

No entanto, embora essas soluções fortaleçam a proteção de dados e pagamentos, muitas ainda dependem da senha como ponto inicial de autenticação. E é justamente nessa etapa que reside a fragilidade estrutural. A crescente complexidade das credenciais, com exigência de combinações longas, caracteres especiais e trocas frequentes, aumentou a fricção para o usuário, mas não eliminou o risco.

À medida que os pagamentos se tornam mais integrados, instantâneos e invisíveis na jornada do consumidor, impulsionados por Open Finance, carteiras digitais e embedded finance, a dependência de senhas passa a ser um entrave tanto para a segurança quanto para a experiência. É nesse contexto que surgem as passkeys.

Como funcionam as passkeys

As passkeys - ou chaves de acesso - se baseiam em um modelo criptográfico que substitui o uso de senhas por um sistema de chaves digitais. Quando um usuário se cadastra em um serviço, são geradas duas chaves: uma pública, armazenada nos servidores da empresa, e uma privada, protegida no próprio dispositivo do usuário.

Essa chave privada nunca é compartilhada. Ela só pode ser utilizada após uma autenticação local, como reconhecimento facial, impressão digital ou outro mecanismo de segurança do aparelho. Isso significa que, mesmo em caso de invasão de sistemas, não há senhas para serem roubadas. Sem acesso ao dispositivo, o criminoso não consegue se passar pelo usuário.

O consumidor precisa apenas confirmar sua identidade no próprio celular ou computador para acessar serviços ou autorizar pagamentos, de forma rápida e segura. Para o setor de pagamentos, a adoção de passkeys representa a uma redefinição do modelo de confiança.

Com autenticação mais robusta, reduzem-se significativamente os riscos de sequestro de contas, transações não autorizadas e golpes baseados em engenharia social. Ao mesmo tempo, a eliminação da senha reduz barreiras, aperfeiçoa a experiência e contribui para melhores taxas de conversão.

Além disso, modelos de autenticação mais potentes reforçam estratégias de prevenção à fraude e ajudam as instituições a atenderem exigências regulatórias cada vez mais rigorosas. Em um ambiente de pagamentos instantâneos, Open Finance e serviços financeiros embarcados, a identidade digital se torna um dos principais ativos do sistema. E não é possível construir a próxima geração do setor sobre um modelo de autenticação concebido décadas atrás.

 Por Fabio Noronha, Diretor de Segurança da Informação da Evertec Brasil

Soluções à base de algas marinhas contribuem para o aumento da produtividade agrícola


A busca contínua pelo aumento de produtividade na agricultura, sem abrir mão do cuidado com o meio ambiente, leva muitos produtores a olhar com mais atenção para soluções naturais. Nesse contexto, os bioestimulantes à base da alga marinha Ascophyllum nodosum vêm ganhando destaque, principalmente pelos resultados consistentes que apresentam no campo.

Reconhecida por sua alta concentração de compostos bioativos, Ascophyllum nodosum se diferencia entre as matérias-primas utilizadas em outros bioestimulantes. “Se compararmos os bioestimulantes disponíveis no mercado, como aminoácidos e extratos vegetais, os extratos dessa alga oferecem respostas positivas consistentes, sendo muitas vezes mais eficazes”, explica o biólogo marinho Raul Ugarte, diretor de Pesquisa Científica da Acadian Sea Beyond.

Esses efeitos se manifestam de diferentes formas no desenvolvimento das plantas: favorecem o equilíbrio fisiológico, estimulam o crescimento radicular, o que resulta em maior absorção de nutrientes do solo, e aumentam a tolerância a períodos de seca, altas temperaturas e outras adversidades ao longo do ciclo.

Grande parte desse potencial está ligada ao ambiente extremo onde Ascophyllum nodosum se desenvolve naturalmente. Em regiões costeiras, essa alga é submetida a condições severas, com variações intensas de temperatura e exposição. “No Canadá, ela pode enfrentar temperaturas de até 40°C no verão e congelamento no inverno, com variações de até 60°C ao longo do ano”, afirma Ugarte. Essa adaptação contribui para a formação de compostos altamente bioativos, que podem ser aproveitados na agricultura.

Para que esses benefícios sejam plenamente transferidos ao campo, o processo de extração é determinante. No caso da Acadian Sea Beyond, Ascophyllum nodosum passa por uma tecnologia exclusiva que preserva a integridade desses compostos, potencializando sua atuação no metabolismo vegetal. Essa tecnologia permite entregar ao produtor um bioestimulante mais consistente, com respostas previsíveis, promovendo desenvolvimento radicular, maior eficiência no uso de nutrientes e melhor tolerância a estresses.

“Esse cuidado assegura não apenas a qualidade do produto, mas também a disponibilidade a longo prazo, que é importante para o mercado de bioestimulantes”, finaliza Raul Ugarte.


5 formas de usar seu pingente personalizado


A busca por acessórios que representem histórias, sentimentos e identidade tem impulsionado o crescimento das joias personalizadas. Mais do que itens estéticos, esses produtos passam a carregar significados únicos, transformando-se em extensões da personalidade de quem usa.

Nesse contexto, os pingentes personalizados se destacam pela versatilidade e pelo apelo emocional. Seja com iniciais, datas, símbolos ou até mesmo imagens, essas peças permitem diferentes formas de uso, acompanhando o estilo e a rotina de cada pessoa.

A ACIUM, que aposta na personalização como um dos pilares de sua atuação, reforça que o acessório pode ir além do tradicional e se adaptar a múltiplas propostas de styling. A seguir, Eli Neri, CEO da ACIUM Brazil, aponta algumas formas de incorporar o pingente personalizado no dia a dia:

1. Como peça central do look
Usar o pingente como protagonista é uma forma de destacar seu significado. Em composições mais minimalistas, a peça ganha evidência e se torna o ponto focal do visual, chamando atenção tanto pelo design quanto pela história que carrega.

2. Em mix de colares

Combinar o pingente com outros colares de diferentes comprimentos cria um efeito moderno e dinâmico. A mistura de peças permite equilibrar estética e significado, integrando o acessório personalizado a uma composição mais fashionista.


3. No uso diário, como assinatura pessoal

Incorporar o pingente à rotina faz com que ele se torne parte da identidade visual. Usado diariamente, o acessório deixa de ser algo pontual e passa a representar um símbolo constante de memória, afeto ou crença.


4. Em combinações com outros acessórios

O pingente pode ser coordenado com pulseiras, anéis ou brincos, criando um conjunto harmonioso. Essa combinação reforça o estilo pessoal e permite que o acessório dialogue com diferentes elementos do look.

5. Como presente com significado
Além do uso pessoal, o pingente personalizado se destaca como opção de presente. A possibilidade de incluir elementos únicos, como nomes, datas ou imagens, transforma a peça em um símbolo afetivo, que vai além do valor material.


Segundo Eli Neri, a personalização representa uma das principais transformações no mercado de acessórios. “As pessoas querem se ver nas peças que usam. O pingente personalizado traduz exatamente isso: ele carrega uma história, um sentimento, algo único de cada pessoa”, afirma.


Ao unir design, durabilidade e significado, os pingentes personalizados reforçam o papel das joias como elementos que vão além da estética, consolidando-se como parte essencial da construção de identidade no cenário contemporâneo.


Desafio operacional, lei que amplia licença-paternidade funciona como Upgrade estratégico para gestão de pessoas


A chegada da Lei 15.371/26, que amplia gradualmente a licença-paternidade no Brasil para até 20 dias, além de redefinir o papel da paternidade no contexto do mercado de trabalho, ampliar direitos individuais e aumentar a promoção da igualdade de gênero, também causa impactos para empresas e departamentos jurídicos, uma vez que exige adaptação e adequação de regulamentos, rotinas e políticas empresariais.

No entanto, como sua aplicação não é imediata, as empresas e escritórios de advocacia têm um prazo considerável para se prepararem para sua adequação à nova lei. Segundo a norma, nos termos do seu artigo 11, a implantação ocorrerá da seguinte forma:
- Até 31/12/2026 (situação atual) - Mantém-se a regra vigente de 5 dias de licença-paternidade;
- A partir de 01/01/2027: a licença passa para 10 dias
- De 01/01/2028 em diante: a licença ampliada para 15 dias
- A partir de 01/01/2029: a licença atinge o patamar final de 20 dias;

Inicialmente, as organizações devem revisar suas políticas internas de gestão de recursos humanos, regulamentos e sistemas de folha de pagamento para contemplar a ampliação da licença-paternidade para 20 dias, garantindo o correto enquadramento jurídico do afastamento desses trabalhadores quando necessário.

No âmbito operacional, será preciso readequar controles de afastamento e benefícios, por conta do aumento do tempo de afastamento e necessidade de reorganização de equipes; revisar políticas internas e acordos coletivos eventualmente firmados, treinar equipes de RH e compliance para aplicação uniforme da norma, além de alinhar procedimentos com o setor de Contabilidade para fins de compensação previdenciária quando for aplicável.

A lei apresenta em seu texto a ampliação da licença e criação do benefício, mas muitos casos dependerão de regulamentação ou interpretação sistemática. Com base no que conhecemos no ordenamento jurídico atual, poderá haver extensão, por exemplo, em adoção ou guarda judicial; nascimento de filho com necessidade especial (a depender do que vai determinar a regulamentação futura) e até eventuais programas de incentivo, como políticas empresariais próprias.

O benefício poderá ser negado, teoricamente, em caso de ausência de vínculo formal ou qualidade de segurado perante o INSS; descumprimento de requisitos legais ou documentais; fraude ou simulação e, ainda, em situações fora do escopo legal como vínculos sem previsão normativa, exclusivamente civis.

Para as empresas que fazem parte do Programa Empresa Cidadã, que já prevê a prorrogação da licença-paternidade de 5 para 20 dias, os 20 dias passam a ser regra geral, reduzindo o diferencial competitivo do programa nesse ponto específico e uma possível redução do incentivo fiscal associado exclusivamente a esse benefício, sendo necessário avaliar se haverá nova extensão adicional ou reconfiguração do programa quando vier a regulamentação completa.

Com a nova lei, entra em vigor uma nova estabilidade no emprego e recomenda-se evitar dispensa sem justa causa durante o período estabilitário; documentar eventuais desligamentos por justa causa e alinhar procedimentos com o setor Jurídico da empresa antes de qualquer rescisão envolvendo empregados em período de licença ou estabilidade.

Riscos, custos e regras

Há diferenças relevantes, no entanto, para os escritórios de advocacia, Para advogados empregados sob regime CLT, aplica-se integralmente a nova legislação e para advogados associados ou sócios (não CLT), não há obrigatoriedade legal direta.

Dessa maneira, a adoção da licença deverá ocorrer por política interna ou negociação individual, como já ocorre com licenças-maternidade em contratos não celetistas. Nesses casos, é importante que as condições sejam formalizadas em regulamento interno ou contrato de associação para mitigar riscos de alegações futuras de tratamento discriminatório ou equiparação.

Todas essas adaptações e movimentações geram apreensão para os gestores, pois trazem impactos para o caixa, uma vez que a lei também institui o salário-paternidade, indicando participação do INSS no custeio do benefício. Até o momento, a operacionalização desse item depende de regulamentação infralegal, mas, por analogia ao que é aplicado ao salário-maternidade (regido pelo artigo 72 da Lei 8.213/91), podemos visualizar dois cenários.

Primeiramente, a compensação via Guia de Recolhimento /eSocial, que deve ser o modelo mais provável, ou o pagamento direto pelo INSS, mediante requerimento do segurado.Dessa forma, haverá custos para as empresas com a necessidade de antecipação do pagamento ao empregado, com posterior compensação; um eventual atraso no ressarcimento pelo INSS e uma certa insegurança operacional até regulamentação definitiva.

Nesse cenário, a recomendação é que as companhias tenham provisões financeiras na medida do possível e façam acompanhamento rígido próximo da regulamentação.

Um upgrade estratégico na Gestão de Pessoas

 Apesar das mudanças estruturais e até de custos nas empresas, a nova lei também pode compor upgrades estratégicos na gestão de pessoas. A nova regra pode ser utilizada estrategicamente sob a ótica da retenção de talentos, desde que bem estruturada e juridicamente segura.

Esse novo benefício pode, por exemplo, fortalecer a proposta de valor ao empregado (employee value proposition), especialmente para profissionais em fase de constituição familiar. Além disso, pode contribuir para um aumento do engajamento e da satisfação, ao demonstrar alinhamento da empresa com práticas modernas de bem-estar e equilíbrio entre vida pessoal e profissional e até contribuir para a redução de turnover, sobretudo em cargos estratégicos nos quais a perda desses profissionais gera maior impacto operacional e financeiro para as companhias.

A lei também tem sua aplicação prevista em estruturas familiares diversas reconhecidos juridicamente, como casais homoafetivos e adoções unilaterais, à luz dos princípios constitucionais de isonomia, proteção à família e não discriminação e, eventuais lacunas, dependerão de regulamentação ou consolidação jurisprudencial.Essa possibilidade coloca a implantação da licença-paternidade como diferenciação competitiva no mercado de trabalho, especialmente em setores com alta demanda por mão de obra qualificada.

Para a promoção da igualdade de gênero, ela contribui muito para a redistribuição mais equilibrada das responsabilidades familiares entre homens e mulheres, reduzindo a sobrecarga historicamente atribuída às trabalhadoras, além de mitigar vieses indiretos na contratação e promoção de mulheres, na medida em que o afastamento por cuidados com filhos deixa de ser um fator exclusivamente feminino.

Outras vantagens que podemos vislumbrar são a redução de riscos de discriminação estrutural, inclusive em práticas de gestão de carreira e o alinhamento com princípios constitucionais de isonomia e com diretrizes de ESG (Environmental, Social and Governance), cada vez mais relevantes no ambiente corporativo.

As empresas que estiverem preparadas para sua implantação com políticas internas claras e isonômicas com formalização em regulamentos ou manuais de RH para aplicação de maneira uniforme para evitar alegações de tratamento discriminatório, vão ingressar bem preparadas no futuro do mercado de trabalho.

O motivo é que a ampliação da licença-paternidade deixa de ser apenas um desafio operacional para ser uma ótima ferramenta de governança, reputação e sustentabilidade organizacional.

 * Rachel Elisa Dourado Vaz Pereira é advogada especialista em Direito do Trabalho no escritório Tardioli Lima Advogados.

Bicudo-do-algodoeiro segue como principal desafio do algodão no Brasil


Na cadeia do algodão, o bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) segue como a principal ameaça à produtividade e qualidade da produção e exige atenção redobrada dos produtores ao longo de todo o ciclo, especialmente em períodos estratégicos da safra, quando o monitoramento precisa ser intensificado. Isso porque o inseto ataca diretamente as estruturas reprodutivas da planta, como os botões florais, comprometendo o desenvolvimento e reduzindo em cerca de 70% o potencial produtivo da lavoura.

“O bicudo tem impacto direto na formação da planta, pois atinge estruturas essenciais, como os botões e as maçãs”, explica Luiz Henrique Marcandalli, Head de Marketing da Rainbow. “Se não manejado de forma adequada, ele pode provocar queda dessas estruturas e reduzir significativamente o rendimento da cultura”. Pequeno, com cerca de 3 a 6 milímetros e coloração marrom, o bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) tem alto poder de destruição e grande capacidade de reprodução, o que dificulta seu controle.

Os primeiros sinais de infestação incluem botões florais perfurados, queda precoce dessas estruturas e flores com aspecto “rosetado”. Muitas vezes, os sintomas começam de forma discreta, mas evoluem rapidamente, especialmente quando as condições são favoráveis ao desenvolvimento da praga, reduzindo o tempo de reação do produtor e aumentando o risco de perdas.

Diante desse cenário, o monitoramento constante é essencial para o controle eficiente do bicudo. A inspeção frequente da lavoura, com atenção especial às estruturas reprodutivas, ajuda a identificar precocemente a presença da praga e tomar decisões no momento correto. Além disso, a destruição de restos culturais, a eliminação de plantas voluntárias e o uso de armadilhas na entressafra são importantes para reduzir a população do inseto entre safras. “O controle do bicudo não depende de uma única ação, mas sim de um conjunto de práticas bem executadas e no tempo certo”, destaca Marcandalli.

O manejo integrado também envolve a rotação de mecanismos de ação e o uso criterioso de inseticidas. Nesse quesito, soluções com modos de ação diferenciados ganham destaque, principalmente em áreas com alta pressão da praga. É o caso de produtos à base de etiprole, como Ethrole, da Rainbow, que atua por contato e ingestão. “Mais do que uma medida isolada, o controle do bicudo-do-algodoeiro depende de planejamento, monitoramento e integração de estratégias ao longo da safra, reforçando a importância de uma abordagem técnica e contínua para proteger o potencial do algodão”, conclui Marcandalli.