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quarta-feira, 25 de março de 2026

Tokenização pode ampliar o acesso aos investimentos e renovar a infraestrutura financeira, diz líder da BlackRock

Foto: Flickr/Moritz Hager

Larry Fink, presidente e CEO da BlackRock, afirma em sua carta anual de 2026 que os ativos digitais e a tokenização têm potencial para transformar o sistema financeiro de maneira semelhante ao impacto inicial da internet nos anos 1990. Segundo Fink, a tecnologia está “num ponto semelhante com a internet em 1996”: ainda longe de substituir o modelo atual, mas já está estabelecendo ponte entre instituições tradicionais e novos participantes.

O executivo critica um sistema que, hoje, tende a favorecer majoritariamente quem já detém ativos, deixando grande parcela da população para a valorização financeira. Sua proposta é usar a tokenização para modernizar a “infraestrutura” do mercado — facilitando a emissão, negociação e acesso a investimentos. Na prática, isso envolve carteiras digitais reguladas que guardam não só moedas, mas também títulos tokenizados, cotas de fundos, ETFs e frações de ativos reais como infraestrutura e crédito privado.

Fink destaca que metade da população mundial já possui carteira digital no celular e vislumbra um futuro em que investir pode ser tão simples quanto enviar um pagamento. Ele também cita ações concretas da BlackRock na área: o gestor afirma ter construído uma posição inicial significativa em ativos digitais, com cerca de US$ 150 bilhões vinculados ao mercado digital, incluindo o fundo tokenizado BUIDL, reservas em stablecoins e negociados em bolsa.

Além do potencial de inovação, Fink situa a tokenização num debate maior sobre desigualdade e financiamento de grandes transformações econômicas — desde a reindustrialização até a transição energética e investimentos em inteligência artificial. Para ele, mercados de capitais mais amplos e acessíveis podem ser essenciais para distribuir melhores ganhos de crescimento.

Na visão do líder da BlackRock, a integração entre mundos tradicional e digital deve ser gradual e regulamentada. Fink pede que formuladores de políticas contribuam para construir essa ponte com rapidez e segurança, adotando proteções ao investidor, padrões de risco de contraparte e mecanismos robustos de verificação de identidade digital para minimizar crimes financeiros.

Em resumo: a tokenização pode não apenas introduzir novos ativos, mas criar “novos trilhos” para distribuir investimento, liquidez e propriedade de maneira mais inclusiva — desde que controlado de regulação e infraestrutura confiável.