Foto: Flickr/Moritz Hager
Larry Fink, presidente e CEO da BlackRock, afirma em sua
carta anual de 2026 que os ativos digitais e a tokenização têm potencial para
transformar o sistema financeiro de maneira semelhante ao impacto inicial da
internet nos anos 1990. Segundo Fink, a tecnologia está “num ponto semelhante
com a internet em 1996”: ainda longe de substituir o modelo atual, mas já está
estabelecendo ponte entre instituições tradicionais e novos participantes.
O executivo critica um sistema que, hoje, tende a favorecer
majoritariamente quem já detém ativos, deixando grande parcela da população
para a valorização financeira. Sua proposta é usar a tokenização para
modernizar a “infraestrutura” do mercado — facilitando a emissão, negociação e
acesso a investimentos. Na prática, isso envolve carteiras digitais reguladas
que guardam não só moedas, mas também títulos tokenizados, cotas de fundos,
ETFs e frações de ativos reais como infraestrutura e crédito privado.
Fink destaca que metade da população mundial já possui
carteira digital no celular e vislumbra um futuro em que investir pode ser tão
simples quanto enviar um pagamento. Ele também cita ações concretas da
BlackRock na área: o gestor afirma ter construído uma posição inicial
significativa em ativos digitais, com cerca de US$ 150 bilhões vinculados ao
mercado digital, incluindo o fundo tokenizado BUIDL, reservas em stablecoins e
negociados em bolsa.
Além do potencial de inovação, Fink situa a tokenização num
debate maior sobre desigualdade e financiamento de grandes transformações
econômicas — desde a reindustrialização até a transição energética e
investimentos em inteligência artificial. Para ele, mercados de capitais mais
amplos e acessíveis podem ser essenciais para distribuir melhores ganhos de
crescimento.
Na visão do líder da BlackRock, a integração entre mundos
tradicional e digital deve ser gradual e regulamentada. Fink pede que
formuladores de políticas contribuam para construir essa ponte com rapidez e
segurança, adotando proteções ao investidor, padrões de risco de contraparte e
mecanismos robustos de verificação de identidade digital para minimizar crimes
financeiros.
Em resumo: a tokenização pode não apenas introduzir novos
ativos, mas criar “novos trilhos” para distribuir investimento, liquidez e
propriedade de maneira mais inclusiva — desde que controlado de regulação e
infraestrutura confiável.