Deputado estadual com cinco mandatos consecutivos, Figueiredo destaca experiência na implantação de unidades da Faetec, criação da Comissão do Idoso e atuação na defesa ambiental da Laguna de Araruama como prioridades para possível novo mandato.
O pré-candidato a deputado estadual Marco
Figueiredo anunciou que pretende retornar à Assembleia Legislativa do Estado do
Rio de Janeiro, com foco na retomada de políticas públicas voltadas à
qualificação profissional da juventude e à defesa dos direitos da população
idosa.
Durante entrevista concedida nesta semana, o ele
destacou sua trajetória iniciada aos 21 anos como vereador em Duque de Caxias e
posteriormente consolidada em cinco mandatos como deputado estadual, entre 1993
e 2019. O encontro com a nossa reportagem aconteceu durante as comemorações dos
50 anos da gerontóloga e gestora pública, Cristiane Fernandes, em Cabo Frio.
Cris Fernandes, que foi Secretaria da Melhor
Idade na cidade, ajudou o então deputado a coordenar a Comissão do Idoso na
Alerj, enquanto era assessora parlamentar na Alerj. Ela é casada com Emanoel
Fernandes, que por duas vezes foi vereador em Cabo Frio e criou a lei que
permitiu a instalação da primeira Secretaria Municipal do Idoso do Estado do
Rio de Janeiro.
Ele também lutou incansavelmente, ao lado de
Marco Figueiredo, pela instalação da Comissão de Despoluição da Laguna de Araruama
na Alerj.
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| Marco Figueiredo (E) com o casal Cris e Emanoel Fernandes |
O retorno à
vida pública
Segundo Marco Figueiredo, a decisão de voltar
à vida pública ocorre após a recuperação de um problema de saúde que o afastou
das disputas eleitorais recentes.
“Projetos importantes que implantamos ficaram
abandonados ao longo desses anos. Precisamos retomar políticas estruturantes,
principalmente nas áreas de qualificação profissional e proteção ao idoso”,
afirmou.
Qualificação
profissional como prioridade
Entre as principais propostas, Marco
Figueiredo destacou a retomada do fortalecimento da Fundação de Apoio à Escola
Técnica (FAETEC) como instrumento estratégico de formação técnica e inserção de
jovens no mercado de trabalho.
Durante seus mandatos, ele afirma ter
participado da implantação de unidades da fundação na Baixada Fluminense, em
Magé e em Petrópolis.
“O ensino profissionalizante é fundamental
para preparar o jovem para o mercado de trabalho. Hoje vemos unidades que
atendiam milhares de alunos funcionando com capacidade muito reduzida.”
O político também criticou o enfraquecimento
de políticas públicas voltadas à juventude e alertou para o impacto social da
falta de oportunidades.
Defesa dos
direitos da população idosa
Outra pauta central destacada por Marco
Figueiredo é o fortalecimento das políticas voltadas à terceira idade. Ele
relembrou a criação da Comissão Especial do Idoso na Assembleia Legislativa do
Estado do Rio de Janeiro como marco institucional na defesa desse segmento.
Segundo o pré-candidato, o envelhecimento da
população brasileira exige novas políticas públicas estruturadas.
“O idoso hoje precisa ser protagonista. Muitos
sustentam suas famílias e ainda enfrentam desrespeito e falta de políticas
específicas.”
Entre as propostas defendidas está a criação
de um hospital regional voltado ao atendimento especializado da população idosa
na Região dos Lagos.
Defesa
ambiental da Laguna de Araruama
Durante a entrevista, o pré-candidato também
destacou sua atuação na criação da Comissão de Defesa da Laguna de Araruama,
voltada à fiscalização ambiental e à cobrança de medidas de saneamento básico
na região.
Segundo ele, a mobilização institucional
contribuiu para avanços no controle da poluição e melhoria da qualidade da
água, embora ainda existam trechos com despejo irregular de esgoto.
“A laguna apresentou melhora significativa,
mas ainda precisamos ampliar a fiscalização e garantir o cumprimento das
responsabilidades ambientais.”
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| Emanoel Fernandes, Eduardo Paes, Marco Figueiredo e o Secretário Municipal de Educação da Prefeitura do Rio de Janeiro, Renan Ferreirinha |
Ao comentar o cenário político do Estado do
Rio de Janeiro, Marco Figueiredo defendeu maior valorização de gestores com
experiência administrativa comprovada.
Nesse contexto, declarou apoio ao nome do
prefeito do Rio, Eduardo Paes, como possível alternativa para o governo
estadual.
“Precisamos valorizar gestores com histórico
de realizações e compromisso com políticas estruturantes.”
O retorno à
vida pública
Marco Figueiredo afirmou que pretende
concentrar sua atuação parlamentar em três eixos principais:
- fortalecimento do ensino técnico e profissionalizante
- ampliação das políticas públicas voltadas à população idosa
- defesa ambiental da Região dos Lagos
Segundo ele, a retomada
dessas iniciativas será fundamental para ampliar oportunidades para jovens e
garantir qualidade de vida à população mais envelhecida do Estado.
Segue, na íntegra, a transcrição da entrevista com Marco Figueiredo
Papo de Nível: Vamos conversar aqui com o Marco Figueiredo, que é pré-candidato a
deputado estadual. Eu queria que você contasse um pouco da sua trajetória e do
trabalho ao longo dos anos em que esteve na Assembleia Legislativa.
Marco Figueiredo: Prazer falar com vocês. Na verdade, a nossa caminhada na vida pública
começou muito antes. Fui eleito vereador muito jovem, aos 21 anos de idade.
Exerci dois mandatos como vereador em Duque de Caxias e depois cinco mandatos
como deputado estadual.
Foi uma caminhada que começou em 1993, após a
eleição em 1992, e seguiu até 2019. Depois disso, não fui candidato à reeleição
por causa de um problema de saúde. Hoje estou com a saúde praticamente
recuperada — o médico me deu nota 9 — e pronto para reconstruir a nossa
caminhada.
Projetos que realizamos e ações concretas que
efetivamos ficaram abandonados. Além da falta de manutenção, existe até
destruição de iniciativas importantes, especialmente na área do ensino
profissionalizante e na Comissão de Defesa do Idoso.
Papo de Nível: Estamos vendo agora um escândalo enorme envolvendo o CEPERJ, que levou
ao afastamento do governador. O CEPERJ foi criado justamente com o objetivo de
formar jovens e acabou virando o que virou. É lamentável.
Marco Figueiredo: Nesse período, inclusive, eu não era candidato — tive uma pausa de oito
anos fora da vida pública. Mas é importante lembrar que temos no Estado a
Fundação FAETEC, e eu atuei muito na qualificação profissional de jovens e
adultos.
Conseguimos levar a maior FAETEC da Baixada
Fluminense para Duque de Caxias, implantar a primeira unidade em Magé, outra na
antiga Faculdade de Medicina em Petrópolis e mais cinco unidades na Baixada. O
ensino profissionalizante é fundamental para preparar o jovem para o mercado de
trabalho.
Ver recursos que deveriam qualificar jovens
sendo desviados para política eleitoreira é uma vergonha.
Papo de Nível: Uma das suas principais pautas foi a do idoso, que é um dos grandes
desafios da administração pública. A gente sabe que você falou sobre a
qualificação profissional do jovem, mas o idoso ainda não tem muitas
oportunidades no mercado de trabalho. Você pensa em algo nesse sentido?
Marco Figueiredo: Criamos a Comissão do Idoso na Alerj porque era vergonhoso que a
política do idoso estivesse junto com a política da criança e do adolescente.
Existia apenas a comissão da criança, do adolescente e da pessoa idosa.
Tivemos a iniciativa de criar a Comissão
Especial do Idoso, com grande ajuda da Cristiane Fernandes, que trabalhou
comigo e coordenava os trabalhos.
A partir daí levamos à discussão uma política
prioritária: o bem-estar e a qualidade de vida do idoso. Graças a Deus, a
população brasileira está vivendo mais. Isso é bom, mas precisamos garantir que
o idoso tenha oportunidades.
O idoso tem muito a ensinar aos jovens. Ele
pode participar da qualificação profissional transmitindo experiência e
conhecimento. E, se quiser aprender algo novo, também deve ter oportunidade.
Infelizmente, o idoso no Brasil é muito
desrespeitado. Em países como o Japão, por exemplo, o idoso tem papel
fundamental nas decisões públicas.
Além disso, muitos idosos sustentam suas
famílias. Muitos são explorados até dentro da própria família, com cartões
bancários sendo manipulados indevidamente.
O idoso precisa ser respeitado.
Papo de Nível: Mudando um pouco de assunto, você também criou a Comissão de Defesa da Laguna
de Araruama. Hoje vemos avanços, mas que poderiam ter sido maiores. Qual a
importância dessa comissão e como você avalia o cenário atual?
Marco
Figueiredo: A Comissão
de Defesa da Laguna de Araruama foi criada em parceria com o Emanoel Fernandes.
Quando ele foi vereador, criou uma comissão municipal e propôs um consórcio
entre os municípios do entorno da laguna.
Como esse trabalho não avançou no âmbito
municipal, levamos o projeto para a Alerj e criamos a comissão estadual.
Identificamos um ponto fundamental: a
concessionária Prolagos cobrava pelo tratamento de esgoto, mas não realizava
adequadamente o serviço. Com a comissão, chamamos o Ministério Público e
autoridades ambientais e obrigamos a concessionária a assumir responsabilidade
pelo esgoto zero na laguna.
Hoje a melhora é significativa. A laguna está
mais limpa, mais clara, com retorno de espécies marinhas.
Mas ainda existem trechos recebendo esgoto in
natura. Recebo denúncias constantemente. Estive em São Pedro da Aldeia e também
em Cabo Frio, especialmente na Praia do Siqueira.
Existe estação de tratamento ali, mas as obras
demoram muito. Se não houver fiscalização das prefeituras, câmaras municipais e
da Alerj, a poluição pode voltar.
Papo de Nível: Falamos do passado. Agora vamos falar do futuro. O que você está
planejando para essa nova incursão na vida pública como pré-candidato?
Marco Figueiredo: Estou sendo convocado a voltar para a vida pública. Hoje tenho 55 anos,
comecei com 21, e estou com saúde recuperada e disposição para trabalhar.
Muita coisa mudou nesses quase dez anos em que
fiquei afastado. Vejo uma necessidade muito grande de recolocar a educação e a
qualificação profissional como prioridade.
Muitos jovens estão perdendo oportunidades e
indo para caminhos errados. Estamos vendo adolescentes perdendo a juventude
para as drogas.
A FAETEC foi praticamente destruída. Existem
unidades que implantamos com 10 mil alunos por ano e hoje têm menos de 200.
Quero atuar com força na pauta da educação e
também na defesa da qualidade de vida do idoso. O idoso hoje está sem
perspectiva, sendo vítima de fraudes, como no caso do INSS.
Quero ser um defensor firme da causa do idoso.
Papo de Nível: A região dos Lagos enfrenta déficit de atendimento ao idoso. Existe a
proposta de criação de um hospital regional do idoso. Isso é viável?
Marco Figueiredo: É extremamente necessário e deve ser prioridade.
A região dos Lagos tem população idosa
crescente. Muitos aposentados vêm morar aqui.
O primeiro hospital estadual do idoso precisa
ser implantado aqui, em parceria com o governo federal. Esse é um compromisso
que assumo: será o primeiro projeto que apresentarei ao retornar à Alerj.
Papo de Nível: Para encerrar: em dez anos fora da vida pública, o estado teve vários
governadores afastados, presos ou substituídos. Como convencer a população de
que ainda há esperança?
Marco Figueiredo:
O estado do Rio é um paciente em estado grave.
Precisamos voltar a valorizar gestores com
experiência e realizações. Hoje existe muito oportunismo político usando
bandeiras ideológicas sem propostas reais.
Entre os nomes apresentados, entendo que o
mais preparado é Eduardo Paes. Foi prefeito do Rio por quatro mandatos e
realizou obras importantes, como intervenções na Praça da Bandeira, o túnel
Marcelo Alencar e melhorias estruturais no trânsito da região metropolitana.
É um gestor comprovado.
Fonte: Papo de Nível


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