Mostrando postagens com marcador sangramento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sangramento. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 25 de março de 2026

Sangramento nasal na infância pode ter origem além do ressecamento


A cena é comum em muitas casas: a criança começa a respirar pela boca, reclama de “nariz entupido” com frequência ou apresenta pequenos episódios de sangramento nasal ao longo da semana. Embora esses sinais muitas vezes sejam encarados como passageiros, eles podem indicar alterações que merecem atenção dos pais, como o desvio de septo ou condições associadas que favorecem o ressecamento da mucosa e aumentam o risco de sangramentos.

“O septo nasal é uma estrutura formada em parte por osso e outra por cartilagem e que divide a cavidade nasal em dois lados: esquerdo e direito”, explica a Dra. Letícia Pina, otorrinolaringologista do Hospital de Olhos de Pernambuco (HOPE). Segundo a especialista, alterações nessa região podem interferir diretamente na passagem de ar pelas narinas.

 

Entre os sinais mais percebidos na infância, a médica destaca a dificuldade para respirar adequadamente. “A obstrução nasal é o principal sintoma do desvio de septo e, nesse caso, é mais comum que ela tenha um lado específico, coincidindo com o lado do desvio”, afirma.

 

A condição não está necessariamente ligada a uma faixa etária específica. “O desvio já pode estar presente desde o nascimento, se acentuando durante o desenvolvimento da face, ou pode ser decorrente de algum trauma. A presença de sintomas, bem como o grau e a localização, são fatores que devem ser avaliados”, esclarece.

 

Apesar de ser uma alteração estrutural, a cirurgia nem sempre é a primeira escolha, principalmente entre os pequenos. “A correção cirúrgica deve ser evitada na infância, pois a face ainda está em desenvolvimento. Em situações com maior repercussão clínica, pode ser considerada uma abordagem conservadora, preservando ao máximo a estrutura do septo”, pontua.

 

Quando o assunto é sangramento nasal, a especialista ressalta que as causas mais frequentes são variadas. “A maior parte dos episódios está relacionada à rinite alérgica, infecções respiratórias, ressecamento, hábito de manipular o nariz e à presença de pequenos vasos dilatados na região anterior do septo”, diz. Ela acrescenta que alterações estruturais também podem contribuir: “Quando existe desvio, essa área pode ficar mais exposta ao fluxo de ar, favorecendo o sangramento”.

 

Na maior parte das vezes, os episódios são leves. “Sangramentos de pequeno volume e esporádicos são comuns, especialmente em crianças com rinite descompensada ou que têm o hábito de cutucar o nariz”, explica. Ainda assim, a avaliação especializada é indispensável. “Todos os casos devem ser investigados para um diagnóstico adequado e afastar outras condições importantes. A presença de hematomas frequentes ou sangramentos em outros locais acende um sinal de alerta”, reforça.

 

Durante os episódios em casa, algumas medidas simples costumam ser eficazes. “A compressão da narina afetada por cinco a dez minutos geralmente é suficiente para interromper o sangramento. A aplicação de gelo envolto em tecido também pode ajudar”, orienta. Ela destaca ainda a importância da postura: “A criança deve manter a cabeça ereta. Não é necessário inclinar para frente ou para trás. Evitar assoar, coçar ou manipular o local é fundamental”.

 

Alguns sinais, no entanto, exigem atenção imediata. “Sangramentos que não cessam com compressão, que apresentam grande volume ou vêm acompanhados de fraqueza, palidez, tontura, sonolência, dificuldade respiratória ou histórico de trauma na face precisam de avaliação médica urgente”, alerta.

 

Na consulta, a investigação é feita de forma detalhada. “O exame físico inclui a inspeção do septo por meio da rinoscopia anterior. Em alguns casos, utilizamos a videoendoscopia nasal para avaliar regiões mais posteriores. Exames laboratoriais também podem ser solicitados com o objetivo de analisar a coagulação”, explica a especialista.

 

Para reduzir a ocorrência desses episódios, hábitos simples fazem diferença na rotina. “O controle da rinite alérgica, a lavagem nasal com soro fisiológico e o uso de hidratantes ajudam a manter a mucosa saudável, principalmente em períodos secos ou durante infecções respiratórias”, orienta. A médica finaliza com um alerta prático: “Evitar ambientes com ar muito seco, como ventiladores fortes e ar-condicionado, além de orientar a criança a não remover crostas ou cutucar o nariz, são medidas importantes na prevenção”.