sexta-feira, 8 de maio de 2026

O que se sabe e o que falta saber sobre o recolhimento de produtos da Ypê por determinação da Anvisa


Ao determinar a suspensão da fabricação, venda, distribuição e uso de dezenas de produtos da marca Ypê, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontou as principais causas identificadas após inspeção na planta em Amparo (SP), mas não divulgou detalhes sobre quais seriam os riscos envolvidos.

A agência apontou falhas nos sistemas de garantia de qualidade e risco à segurança sanitária, com possibilidade de contaminação microbiológica, para determinar o recolhimento de lava louças, lava roupas e desifetantes de lotes com final 1 - entenda abaixo como identificar se o produto pertence ao lote proibido.

Em nota, a Ypê manifestou "indignação com a decisão" da Anvisa, classificou a medida como "arbitrária e desproporcional" e informou que vai recorrer. A empresa alega ter laudos de análises independentes que comprovam que os produtos são "totalmente seguros e adequados para consumo".

O que se sabe até agora ✅

Decisão da Anvisa

A Anvisa determinou o recolhimento de produtos da Ypê após identificar risco de contaminação microbiológica. A medida inclui ainda a suspensão da fabricação, a comercialização, a distribuição e o uso dos produtos.

Produtos afetados

A medida atinge detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes fabricados pela empresa Química Amparo, em Amparo (SP).

Quais lotes devem ser recolhidos

Apenas produtos com lotes cuja numeração termina em 1 estão incluídos na determinação.

Motivo da decisão

A Anvisa apontou falhas em etapas críticas do processo produtivo, incluindo problemas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle, o que compromete as boas práticas de fabricação.

Fiscalização na fábrica

A inspeção na unidade da empresa durou quatro dias e resultou na emissão de um auto de infração.

Prazo para a empresa recorrer

A Ypê tem 10 dias para apresentar recurso contra a decisão.

Posição da empresa

A fabricante nega riscos aos consumidores, afirma que os produtos são seguros e classifica a decisão como “arbitrária”, além de dizer que confia na reversão da medida.

Orientação aos consumidores

A recomendação é interromper o uso dos produtos afetados e procurar o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) para orientações sobre o recolhimento.

Problemas relatados no atendimento

Consumidores têm relatado dificuldades para acionar o SAC da empresa, com ligações que não completam ou são interrompidas.

O que ainda falta saber❓

Quais irregularidades específicas foram encontradas

As falhas identificadas durante a fiscalização não foram detalhadas pelas autoridades que acompanharam a inspeção.

A extensão do risco aos consumidores

Embora a Anvisa aponte risco de contaminação microbiológica, não há detalhamento sobre o impacto concreto para a saúde em cada caso.

Como será feito o ressarcimento ou troca dos produtos

Apesar da orientação para procurar o SAC, consumidores relatam dificuldades no atendimento, e não há uma resposta clara e ampla sobre o procedimento.

Se haverá novas medidas ou sanções

O caso ainda pode evoluir após análise do recurso da empresa e o andamento das apurações sanitárias.

Como identificar lotes proibidos?

A determinação da Anvisa abrange lava louças, lava roupas e detergentes da marca que pertencem a lotes cuja numeração termina com o número 1.

É possível encontrar a informação gravada na embalagem, debaixo do rótulo — como no caso de detergentes —, na base ou próximo à tampa. Geralmente, o número do lote vem acompanhado das datas de fabricação e de validade, e é indicado com a escrita "Lote:" ou "L:" antes.

Se o último numeral do código for o 1, o produto pertence ao lote com risco de contaminação e deve ser recolhido, conforme orientação da Anvisa.

A recomendação é entrar em contato com o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da empresa para obter informações sobre o procedimento de recolhimento.

Fonte: Portal G1

'PAGUE OU VAZE': Hackers atacam grande fornecedor de serviços para o ensino superior


O setor de ensino superior recebeu mais um lembrete no fim de semana de que continua sendo um alvo principal para os cibercriminosos. Hackers que roubaram dados da Ticketmaster, do Google e de diversas universidades renomadas começaram o mês de maio invadindo a Instructure; a empresa de tecnologia educacional é proprietária do Canvas, o sistema de gestão de aprendizagem mais popular do país, usado por 41% das instituições de ensino superior da América do Norte para ministrar cursos.
'PAGUE OU VAZE'

O grupo criminoso de extorsão ShinyHunters — que também foi associado a recentes violações de dados na Universidade da Pensilvânia e nas Universidades de Princeton e Harvard — afirmou que seu ataque à Instructure afetou quase 9.000 escolas em todo o mundo (incluindo uma mistura de instituições de ensino fundamental, médio e superior) e comprometeu as informações de identificação pessoal de 275 milhões de pessoas, incluindo alunos, professores e funcionários.

Embora a Instructure afirme ter contido o ataque, especialistas dizem que isso demonstra o valor agregado que os cibercriminosos enxergam em atacar fornecedores terceirizados em vez de instituições individuais. “Essa violação segue um padrão claro que temos observado nos últimos 18 meses”, disse Doug Thompson, arquiteto-chefe de educação e diretor de engenharia de soluções da Tanium, uma empresa de gestão de cibersegurança. “Em vez de visar campi individuais, os invasores estão subindo na cadeia de suprimentos de dados até as plataformas que sustentam milhares de instituições simultaneamente.”

Esta não é a primeira vez que o grupo ShinyHunters ataca fornecedores de tecnologia educacional. No outono passado, hackers ligados ao grupo invadiram o Salesforce e reivindicaram o roubo de cerca de um bilhão de registros de clientes em dezenas de empresas — incluindo a Instructure, que possui 8.000 instituições parceiras. Em março, o ShinyHunters se infiltrou no Infinite Campus , um sistema de informações estudantis amplamente utilizado para alunos do ensino fundamental e médio. E em abril, reivindicou a autoria do acesso a dados internos da editora McGraw Hill .

“É a matemática de um ladrão de banco que acabou de descobrir onde o carro-forte para. Por que assaltar cem agências se o carro-forte visita todas elas? O verdadeiro risco agora está nas etapas seguintes”, disse Thompson. “Com acesso a nomes reais, endereços de e-mail e até mensagens entre professores e alunos, a próxima onda de phishing não será genérica. Ela fará referência a cursos e conversas reais, o que aumenta muito a probabilidade de sucesso.”

Não está claro exatamente como o grupo ShinyHunters invadiu a Instructure, mas no final da semana passada, usuários do Canvas começaram a relatar interrupções em suas chaves de autenticação. E logo depois, a Instructure recebeu uma mensagem do ShinyHunters: “PAGUEM OU VAZEM”.

Caso a Instructure não pagasse o resgate, poderia haver um vazamento de “vários bilhões de mensagens privadas entre alunos, professores e outros alunos envolvidos, contendo conversas pessoais e outras [informações de identificação pessoal]”, escreveram os ShinyHunters em uma carta de resgate publicada em 3 de maio pelo site Ransomware.live , que rastreia e monitora as vítimas de grupos de ransomware e suas atividades. Os hackers disseram à Instructure para “entrar em contato até 6 de maio de 2026 antes que vazemos as informações, juntamente com vários problemas [digitais] irritantes que surgirão”, alertando a empresa para “tomar a decisão certa” para evitar se tornar “a próxima manchete”.

Embora a Instructure não tenha respondido aos pedidos de comentários do Inside Higher Ed sobre o resgate e outras questões específicas sobre o ataque, a empresa indicou um registro de atualizações de status elaborado por Steve Proud, diretor de segurança da informação da Instructure. Na sexta-feira, Proud confirmou que a violação foi "perpetrada por um agente criminoso" e afirmou que a empresa estava "investigando ativamente o incidente com a ajuda de especialistas forenses externos".

No dia seguinte, Proud escreveu que a Instructure acreditava ter contido o ataque e que havia tomado medidas para revogar credenciais privilegiadas e tokens de acesso associados aos sistemas afetados, implementado patches para aprimorar a segurança do sistema, rotacionado certas chaves — “embora não haja evidências de que tenham sido usadas indevidamente” — e implementado um monitoramento mais rigoroso em todas as plataformas.

Conic-Semesp 2026 abre inscrições para alunos de graduação de todo o país


Abertas as inscrições para o 26º Conic-Semesp - Congresso Nacional de Iniciação Científica até o dia 31 de agosto. Neste ano, o Conic-Semesp, maior congresso de iniciação científica do país, traz o mote “Pesquisa Muda o Mundo”, e será realizado de 10 a 13 de novembro, mais uma vez de maneira 100% remota, em salas virtuais via plataforma do congresso. O formato busca ampliar a participação de estudantes de graduação de instituições públicas e privadas de todo o país, permitindo que apresentem seus trabalhos e pesquisas em diferentes áreas do conhecimento. Esta edição conta com o apoio da Fundação Hermínio Ometto (FHO). 

Realizado desde 2001 pelo Semesp, entidade que representa mantenedoras de ensino superior no Brasil, o Conic tem como objetivo identificar talentos e estimular a criatividade e a geração de conhecimentos por meio da produção de conteúdo científico, bem como reconhecer e premiar os projetos desenvolvidos por estudantes do ensino superior com potencial de aplicação prática. O congresso também incentiva a pesquisa, a arte, a cultura e o desenvolvimento intelectual contínuo dos alunos-pesquisadores e seus professores-orientadores.
 

Para os professores-pesquisadores e para as próprias Instituições de Ensino Superior (IES), o Conic representa um estímulo ao engajamento dos estudantes de graduação no processo de investigação científica, contribuindo para a formação de profissionais cada vez mais qualificados para o mercado de trabalho. Além disso, a produção científica acrescenta às IES relevante valor social e institucional.
 

“Estudantes que participam de pesquisas de iniciação científica demonstram engajamento com o aprendizado e comprometimento com os projetos institucionais. Além disso, os trabalhos desenvolvidos apresentam soluções com potencial de impacto social, abrangendo em diferentes áreas. Por meio da iniciação científica, os alunos transformam ideias em pesquisa e em iniciativas que, no futuro, podem se tornar serviços, produtos ou referências para a compreensão das transformações sociais”, destaca Lúcia Teixeira, presidente do Semesp.
 

Ao longo dos últimos 25 anos, o Conic-Semesp reuniu 55.861 alunos participantes, com 34.589 trabalhos apresentados e a atuação de 20.643 professores-orientadores.
 

Como participar

Podem inscrever trabalhos no Conic-Semesp estudantes brasileiros com matrícula vigente em 2026 em cursos de graduação de instituições de ensino superior públicas ou privadas do Brasil, além de ex-alunos de graduação que tenham concluído o curso no primeiro semestre de 2026. Como orientadores dos trabalhos, podem participar professores-pesquisadores brasileiros com titulação mínima de especialização (em andamento ou concluído).

 

As áreas habilitadas para receber os trabalhos de iniciação científica, nas categorias Concluído e em Andamento, são: Ciências Biológicas e Saúde; Ciências Exatas, da Terra e Agrárias; Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. Consulte o Regulamento em Link.

 

Premiação

Trabalhos inscritos na categoria Concluído: Será concedida premiação ao 1º lugar de cada uma das três áreas do conhecimento, no valor de R$ 3.000,00 (três mil reais). Haverá premiação ao 2º lugar de cada uma das três áreas do conhecimento, no valor de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais). Também haverá premiação ao 3º lugar de cada uma das três áreas do conhecimento, no valor de R$ 1.000,00 (mil reais).

 

Trabalhos inscritos na categoria Em Andamento: Será concedida premiação ao 1º lugar de cada uma das três áreas do conhecimento, no valor de R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais). Haverá premiação ao 2º lugar de cada uma das três áreas do conhecimento, no valor de R$ 1.000,00 (mil reais). Também haverá premiação ao 3º lugar de cada uma das três áreas do conhecimento, no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais)

 

Prêmio de Incentivo à Sustentabilidade Ambiental: Será concedido um Prêmio de Incentivo à Sustentabilidade Ambiental, no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais), destinado ao melhor trabalho da categoria Concluído que esteja diretamente relacionado à preservação ambiental. Apenas projetos que já tenham sido concluídos serão elegíveis para concorrer a este prêmio.

 

Todos os prêmios serão entregues exclusivamente ao autor, com base nas informações fornecidas no formulário de inscrição.

 

Isenção da taxa de inscrição

Para solicitar a isenção total da taxa de inscrição do congresso, todos os autores cadastrados deverão comprovar a participação no ProUni, FIES e/ou beneficiário da Lei de Cotas, por meio de documentação comprobatória específica. Se a opção de isenção por Aluno ProUni for marcada na hora da inscrição, o trabalho ficará pendente até todos os documentos serem enviados. Para mais informações, consulte atentamente os itens 5.6 e 5.7 do Regulamento em Link.

 

Valores da taxa de inscrição

01/05 a 31/05 - R$ 85,00;

01/06 a 30/06 - R$ 90,00;

31/07 - R$ 105,00;

01/08 a 31/08 - R$ 130,00.

 

OBS: Alunos matriculados em Instituições de Ensino Superior associadas ou assinantes institucionais do Semesp terão 30% de desconto no valor da inscrição vigente no período em que a inscrição for concluída. A taxa de inscrição será cobrada apenas uma vez para cada trabalho inscrito, independentemente do número de autores, professores-orientadores ou colaboradores. Consulte o Regulamento.

 

26º Conic-Semesp - Congresso Nacional de Iniciação Científica

Data de realização: de 10 a 13 de novembro de 2026

Local: 100% online, na plataforma do Conic-Semesp

Premiação: 13 de novembro, às 17h15, 100% online

Local: A cerimônia de Premiação e Encerramento será transmitida online pela própria plataforma do congresso e pelo canal do YouTube do Semesp (@VideosSemesp).

Período de inscrições dos trabalhos: de 1 de maio a 31 de agosto de 2026 - apenas no site Link.

Resultado da pré-seleção e notificação de aceitação do trabalho: a partir de 8 de outubro, na plataforma do congresso.

Gradeamento das apresentações em sala virtual: a partir de 19 de outubro, com divulgação no site Link.

Governo do Brasil lança edital de R$ 50 milhões para fortalecer agricultores familiares

 O Governo do Brasil abriu a chamada de projetos Cerrado +Cooperativo, voltada ao fortalecimento de cooperativas e associações da agricultura familiar que atuam no bioma Cerrado. A iniciativa é fruto da parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES).


O edital tem como objetivo ampliar a produção de alimentos saudáveis, geração de renda e adoção de práticas sustentáveis por meio do apoio a empreendimentos coletivos da agricultura familiar, com o valor de R$ 50 milhões em recursos não reembolsáveis do Fundo Socioambiental do BNDES. As inscrições podem ser realizadas até o dia 31 de julho de 2026 e os detalhes da chamada pública estão disponíveis no site do BNDES.

 

QUEM PODE PARTICIPAR — Podem participar da chamada instituições sem fins lucrativos, incluindo cooperativas e associações da agricultura familiar, com atuação exclusiva no bioma Cerrado. Cada proposta deve ter valor mínimo de R$ 5 milhões e, obrigatoriamente, contemplar ações de beneficiamento e comercialização da produção de alimentos.
 

A chamada prioriza a inclusão produtiva de mulheres, jovens, extrativistas e povos e comunidades tradicionais, além de ações que contribuam para a adaptação da agricultura familiar às mudanças climáticas e para a conservação do Cerrado.
 

EIXOS — Entre os eixos apoiados estão práticas agroecológicas, manejo sustentável do solo e da água, fortalecimento da gestão dos empreendimentos coletivos, implantação ou ampliação de agroindústrias, acesso a mercados institucionais, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e canais privados de comercialização.

Denervação renal como alternativa de tratamento para pacientes com hipertensão resistente


A hipertensão arterial, condição crônica que afeta cerca de 30% da população adulta no Brasil, sendo mais frequente em mulheres do que em homens, representa um dos maiores desafios para a saúde pública. Representa a primeira causa prevenível de morte cardiovascular e entre as mulheres é responsável por 1 em cada 3 óbitos anualmente.

Conhecida como uma "assassina silenciosa", a hipertensão evolui sem sintomas aparentes na maioria dos casos, mas suas consequências são devastadoras, incluindo o aumento do risco de infarto, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e doença renal com necessidade de diálise.

Para um grupo de pacientes cuja pressão não é controlada mesmo com o uso de múltiplos medicamentos, a chamada hipertensão resistente, a denervação renal surge como uma alternativa terapêutica inovadora e minimamente invasiva.

“A hipertensão arterial é perigosa não por causar dor imediata, mas porque geralmente age lentamente, podendo passar despercebida e levar a eventos graves e até fatais”, explica o Dr. Rodolfo Staico, cardiologista intervencionista do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, com ampla experiência no procedimento de Denervação Renal.

Sintomas, diagnóstico e os limites do tratamento convencional

Na maioria dos casos, os sintomas só aparecem quando a pressão atinge níveis muito elevados, manifestando-se como dor de cabeça, fadiga, tontura ou visão embaçada. O tratamento tradicional combina mudanças no estilo de vida, como dieta balanceada e atividade física, com o uso de medicament

Entretanto, parte dos pacientes não responde adequadamente a essa abordagem. Para esse grupo, em que os hábitos de vida saudáveis e o uso de múltiplas medicações não é suficiente para controlar os níveis de pressão arterial, condição conhecida como hipertensão resistente, a denervação renal representa uma alternativa terapêutica complementar ao tratamento tradicional.

“A hipertensão resistente é uma condição na qual a pressão continua elevada mesmo com o uso de pelo menos três medicamentos em doses adequadas. Nesses casos, é fundamental investigar a adesão ao tratamento, a adoção aos hábitos de vida saudáveis e as possíveis causas secundárias”, detalha o Dr. Staico.

Denervação renal: uma nova fronteira no tratamento

Para pacientes com hipertensão resistente, a denervação renal se apresenta como uma solução. O procedimento é minimamente invasivo e atua sobre os nervos simpáticos localizados ao redor das artérias renais, que desempenham um papel central na elevação anormal da pressão arterial nestes pacientes.

“A técnica é semelhante a um cateterismo. Através de uma punção, um cateter dedicado é introduzido pela virilha e guiado até as artérias renais, onde é aplicada energia por radiofrequência que interrompe a hiperatividade dos nervos simpáticos. O efeito não é imediato, mas progressivo e sustentado, com uma melhora significativa na pressão entre um e seis meses após o procedimento”, afirma o Dr. Rodolfo Staico. A terapia deve ser indicada em casos selecionados e avaliados apropriadamente pelo médico.

Instituto Dante Pazzanese como Centro de Referência

No Brasil, o acesso à denervação renal ainda é restrito a poucos centros. O Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, em São Paulo, se destaca como uma das principais referências na área, com equipes multidisciplinares e a infraestrutura necessária para realizar o procedimento com segurança.

“O Dante Pazzanese possui expertise para uma avaliação criteriosa e um protocolo que determina a indicação apropriada do procedimento. A denervação renal, quando aplicada em casos bem selecionados e executada com técnica adequada, traz benefícios incontestáveis”, finaliza o Dr. Staico. A consolidação dessa terapia no país representa um passo fundamental para oferecer uma nova esperança a pacientes que convivem com hipertensão arterial não controlada oferecendo melhor qualidade de vida e reduzindo o risco de sofrer eventos cardiovasculares e renais graves.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Mães solo sustentam crescimento do consumo no Brasil e desafiam marcas a provar valor


No Brasil de hoje, celebrar o Dia das Mães também é reconhecer a diversidade das configurações familiares — e o protagonismo crescente das mães que lideram seus lares. Dados do estudo trimestral Consumer Insights, da Worldpanel by Numerator, mostram que os lares monoparentais já representam 35% do total no país — um avanço de 7,7 pontos percentuais nos últimos quatro anos. Esse movimento dialoga com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontam um crescimento de 20 pontos percentuais na participação de mulheres como chefes de família, passando de 30% em 2000 para 50% em 2022.

Mais do que uma mudança demográfica, essa transformação vem impactando a lógica de consumo. Em meio a um cenário de maior pressão sobre o poder de compra e busca por controle financeiro, essas mães assumem decisões cada vez mais estratégicas no dia a dia e influenciam diretamente o desempenho de categorias e marcas.

Mães solo: protagonistas do crescimento em consumo

Os lares monoparentais, em sua maioria compostos por mães mais jovens e com forte presença no Norte, Nordeste e Grande São Paulo, consolidam-se como um dos principais motores de crescimento no consumo de bens de consumo massivo — especialmente em um contexto em que a média dos lares apresenta avanço mais moderado e maior racionalização dos gastos.


Da variação de valor (3,2 p.p.) e volume comprado (1,8 p.p.) no total da cesta de bens de consumo massivo (alimentos, bebidas, itens de higiene e beleza e artigos de limpeza do lar) entre 2024 e 2025, esses lares monoparentais contribuíram com 1,6 e 0,4 p.p., respectivamente. Enquanto isso, os lares de casais com filhos reduziram sua contribuição em volume total dentro da cesta, refletindo maior racionalização das despesas. Isso é ainda mais acentuado entre os lares com filhos em idade pré-escolar ou adolescente, que registram contribuição negativa de 1,6 p.p. em volume e 1 p.p. em valor.


Esse desempenho reforça que, mesmo em um cenário de consumo mais contido, os lares monoparentais seguem expandindo sua relevância e sustentando o dinamismo da cesta de FMCG, evidenciando uma conexão mais intensa com essas categorias.

Mais escolha, mais pressão: o novo desafio das marcas

Outros destaques dos lares monoparentais, na comparação com os demais arranjos familiares, são a maior frequência de compra e uma relação relevante com marcas — especialmente nas categorias de Mercearia Doce e Salgada e Higiene & Beleza, que combinam cuidado pessoal e praticidade para a rotina.


Ao mesmo tempo, esses lares refletem uma dinâmica cada vez mais presente no consumo brasileiro: mesmo mantendo vínculos com marcas, ampliam o leque de escolhas dentro da cesta, pressionados pela necessidade de equilibrar orçamento e necessidades do dia a dia.


Além disso, esses lares se destacam por equilibrar o consumo entre itens premium e economy, ao contrário de lares com filhos, mais orientados ao economy, e dos independentes, que têm maior peso no tier premium. Esse comportamento reforça o papel dos monoparentais como importantes impulsionadores do desempenho de marcas premium no país.


Nesse contexto, marcas que desejam se manter relevantes precisam ir além da presença — é fundamental construir valor percebido de forma consistente e estabelecer uma conexão genuína com essas mães, que ganham importância e representatividade no mercado.


“Os lares monoparentais liderados por mulheres revelam uma consumidora cada vez mais estratégica, que equilibra orçamento, praticidade e cuidado no dia a dia. Essas mães não apenas sustentam seus lares — elas definem prioridades de consumo, influenciam categorias e desafiam as marcas a se conectarem com mais empatia, relevância e entendimento da sua realidade”, conclui Pedro Guelfi, Diretor de Contas da Worldpanel by Numerator.

 

Metodologia


O Consumer Insights, da Worldpanel by Numerator, é um estudo trimestral que reúne dados dos três principais painéis da empresa. O Painel de Consumo In Home representa os hábitos de compra de 60 milhões de lares no Brasil, analisando o comportamento de consumo dentro do lar. O Painel de Uso aprofunda como os produtos adquiridos são, de fato, utilizados pelas pessoas dentro desses lares — com base em mais de 53 bilhões de ocasiões de uso em Alimentos e Bebidas. Já o Painel Out of Home acompanha o consumo fora de casa, com amostra que representa 158 milhões de indivíduos. Todos os painéis possuem cobertura nacional, oferecendo uma visão completa dos hábitos de consumo dos brasileiros.

Alerta! “Câncer será a maior causa de mortalidade no Brasil”


No começo de 2026, o Instituto Nacional de Câncer (Inca), que atua como órgão auxiliar do Ministério da Saúde nas ações de prevenção e controle da doença, apresentou uma projeção preocupante: entre os anos de 2026 e 2028, o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer. Embora o número já seja elevado, a tendência é de crescimento significativo nas próximas décadas. A estimativa aponta que, até 2050, a incidência da doença pode aumentar em 85%, enquanto a mortalidade pode ultrapassar um crescimento de 90%.

Em entrevista ao Metrópoles, o especialista Gil destacou que, nos próximos dez anos, a tendência é de aumento contínuo dos casos, muito em função dos hábitos adotados pela população. Fatores como tabagismo, alimentação inadequada, obesidade, consumo excessivo de bebidas alcoólicas e sedentarismo estão entre os principais responsáveis por esse cenário. 

Além disso, práticas como o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, ingestão elevada de álcool e relações sexuais sem proteção — associadas ao HPV, que pode provocar câncer do colo do útero e da cavidade oral — tornaram-se mais comuns e contribuem diretamente para o desenvolvimento da doença. “É importante frisar que de 30% a 50% dos casos de câncer são preveníveis e já conhecemos os fatores de risco”, afirma.

Outros elementos também influenciam o aumento dos casos, como a ingestão de alimentos contaminados por agrotóxicos, a ausência de equipamentos de proteção individual (EPIs) em determinadas atividades e a exposição solar sem os cuidados adequados. O envelhecimento acelerado da população brasileira é outro fator relevante nesse contexto. “Tivemos um envelhecimento populacional grande no Brasil. Em 40 anos, avançamos o que a Europa levou 400 anos. Outras doenças estão estabilizadas, mas a incidência do câncer está aumentando, sendo 65% nos homens e 70% nas mulheres”, alerta o oncologista.

Além das causas ligadas ao estilo de vida, o cenário também é agravado por desafios estruturais no sistema de saúde. A fragmentação do atendimento, que obriga o paciente a percorrer diferentes unidades para realizar exames e tratamentos, a capacitação dos profissionais e o diagnóstico tardio são fatores que dificultam o controle da doença.

Entre os tipos mais comuns, destacam-se, nos homens: próstata (30,5%), cólon e reto (10,3%), pulmão (7,3%), estômago (5,4%) e cavidade oral (4,8%). Já entre as mulheres, os mais frequentes são: mama (30%), cólon e reto (10,5%), colo do útero (7,4%), pulmão (6,4%) e tireoide (5,1%).

Apesar do cenário preocupante, o Inca tem investido em campanhas de prevenção, parcerias institucionais e capacitação de profissionais. Gil reforça a importância dessas ações: “É preciso modificar esse quadro atual. Incentivar a prevenção é a única maneira de diminuir a incidência”, enfatiza.

Dia das Mães: pesquisa de preços encontra variações de até 67% em itens comuns


Com a aproximação do Dia das Mães, uma das datas mais importantes para o comércio, consumidores que pretendem presentear precisam redobrar a atenção. Pesquisa realizada pela Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (SEDCON) e pelo PROCON-RJ identificou variações significativas de preços em produtos tradicionalmente escolhidos para a ocasião, como perfumes, cosméticos e flores, evidenciando que a mesma compra pode custar muito mais caro dependendo do local escolhido.

O levantamento analisou 44 produtos em sites de grandes varejistas e plataformas de e-commerce com entrega no estado do Rio de Janeiro. Entre os destaques, os itens de cuidados capilares apresentaram as maiores diferenças: o kit Lola Cosmetics Rapunzel Trio teve variação de 67,15% entre o menor e o maior preço encontrado.

Na categoria de perfumaria, os preços variaram de R$ 24,99, no caso de um body splash, até R$ 345 em um perfume, demonstrando que o consumidor pode economizar significativamente ao comparar marcas e volumes antes da compra.

Já os cosméticos para corpo e rosto apresentaram diferenças de até 23%, enquanto as flores, outro presente clássico da data, também registraram variações relevantes. Buquês de rosas chegaram a apresentar diferença de até 36,78%, refletindo fatores como demanda elevada e condições de oferta.

Além das diferenças entre lojas, a pesquisa também analisou a evolução dos preços em relação ao ano passado. Os produtos de perfumaria tiveram aumento médio de 9,15%, acima da inflação do período, enquanto os cosméticos apresentaram queda média de 6,54%, indicando maior competitividade no setor. Já as flores registraram alta média de 15,88%, impulsionadas pela sazonalidade da data.

Para o secretário de Estado de Defesa do Consumidor, Rogério Pimenta, o levantamento é um aliado importante para quem quer presentear sem comprometer o orçamento.

 - A gente sabe que o Dia das Mães envolve afeto, emoção, mas também exige atenção. A pesquisa mostra que o consumidor pode pagar muito mais caro pelo mesmo produto se não comparar preços. Informação é o que garante uma escolha consciente e protege o bolso nesse tipo de data - , afirmou.

A SEDCON e o PROCON-RJ orientam que os consumidores planejem as compras com antecedência, pesquisem preços em diferentes canais e fiquem atentos ao custo final, incluindo frete e prazos de entrega. Também é fundamental verificar a reputação da loja e exigir a nota fiscal, garantindo os direitos em caso de troca ou problema com o produto.

A pesquisa completa está disponível para consulta e tem como objetivo ampliar a transparência nas relações de consumo e ajudar o consumidor a fazer escolhas mais seguras e econômicas em uma data marcada pelo aumento da demanda e pelo apelo emocional das compras.

Acesse a pesquisa completa: https://drive.google.com/drive/folders/1NKJiMmG5sPq4eAmJ8tLbfxeEpfzpNsi1?usp=drive_link

 


Escola Móvel Pet do Senac RJ leva capacitação e serviços gratuitos à Semana S


Semana S - evento idealizado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) - irá promover em todo o Brasil atividades voltadas para a população em geral e trabalhadores do comércio no dia 16 de maio de 2026. O Senac RJ antecipou o calendário para oferecer capacitação profissional e serviços gratuitos a partir da próxima quarta (6), na Escola Móvel Pet que estará estacionada no Píer Mauá

A programação inclui serviços de banho, tosa, corte de unhas para pets, além de visitas guiadas à unidade móvel. Para participar, os interessados devem se dirigir ao Píer Mauá. As inscrições serão feitas por ordem de chegada.

Serviços básicos para pets – a Semana S no Rio de Janeiro é pet friendly e os animaizinhos de pequeno e médio porte que passarem pelo evento com seus tutores, no dia 16, das 10h às 16h, podem receber atendimentos como banho, tosa higiênica e corte de unhas. Antes disso, entre os dias 6 e 15, os mesmos serviços estarão disponíveis na escola móvel, e serão realizados por alunos e instrutores do Senac RJ.

Sobre as Escolas Móveis

As Escolas Móveis Senac RJ são unidades itinerantes que levam cursos profissionalizantes a comunidades em todo o estado do Rio de Janeiro, ampliando a cobertura regional da instituição. As aulas são ministradas em um moderno ambiente de aprendizagem, equipado com materiais específicos das áreas de formação oferecidas: Tecnologia, Gastronomia e Beleza.

Píer Mauá
(de 6 a 16/05/2026)

PROGRAMAÇÃO:
06/05 | Visitação guiada |das 8h às 17h
07/05 | Banho, tosa higiênica e corte de unhas | das 13h às 17h
08/05 | Visitação guiada | das 8h às 17h
09/05 | Banho, tosa higiênica e corte de unhas | das 8h às 12h
11/05 | Banho, tosa higiênica e corte de unhas | das 13h às 17h
12/05 | Banho, tosa higiênica e corte de unhas | das 8h às 12h
13/05 | Visitação guiada | das 8h às 17h
14/05 | Banho, tosa higiênica e corte de unhas | das 13h às 17h
15/05 | Visitação guiada | das 8h às 17h
16/05 | Banho, tosa higiênica e corte de unhas | das 10h às 16h

 

 

“Eu estava com você 15 minutos antes”: amigo relata queda de avião


O piloto Iago Pereira relatou nas redes sociais como foi o último encontro com o amigo, o médico veterinário Fernando Moreira Souto, pouco antes da queda de um avião de pequeno porte em Belo Horizonte, na tarde desta segunda-feira (4). Fernando está entre as três vítimas do acidente.

Em publicação emocionada, Iago descreveu o impacto de receber a notícia minutos após se despedir do amigo. “Meu Deus, como eu pedi para que não fosse verdade, que estivessem todos bem, que não fosse o avião, que aquilo tudo fosse um pesadelo, afinal eu estava ali com vocês a 15 minutos atrás, e aquilo não podia ser verdade”, escreveu.

Ele também compartilhou uma imagem da conversa que teve com Fernando momentos antes do voo. Segundo o piloto, o amigo o chamou para ir até o hangar por volta das 11h20, e os dois permaneceram juntos até a decolagem. Iago contou que chegou a fotografar a aeronave às 11h50 e, em seguida, foi para casa, quando já se deparou com a notícia da queda, registrada por volta de 12h21.

No relato, ele afirmou que voltou imediatamente ao local do acidente na tentativa de ajudar. “Não tive nem tempo de tirar o uniforme, corri pra lá e cheguei junto com as ambulâncias ainda, na esperança de poder ajudar em algo, qualquer coisa que fosse! No pouco tempo do nosso encontro hoje, nós conversamos sobre o avião e você estava todo animado, rindo (como sempre), falando dos próximos planos e me perguntando o que eu achava”, contou.

Iago também disse ter encontrado os pais de Fernando e buscado transmitir o último gesto de carinho do amigo. “Hoje quando abracei seus pais, eu quis transmitir o abraço que vc me deu, pois eu tinha sido o último a estar ali com vocês… Por mais que eu tente, palavras não conseguem expressar tudo o que eu tô sentindo”, escreveu.

Fernando, de 36 anos, era filho do prefeito de Jequitinhonha, Nilo Souto (PDT). Além dele, morreram no acidente o piloto Wellington de Oliveira, de 34 anos, e Leonardo Berganholi, de 50, que chegou a ser socorrido com vida, mas não resistiu aos ferimentos.

O avião monomotor havia decolado de Teófilo Otoni, em Minas Gerais, fez uma parada na Pampulha, em Belo Horizonte, e seguia para São Paulo. Ao todo, cinco pessoas estavam a bordo. Duas foram resgatadas com vida e permanecem internadas no Hospital João XXIII, na capital mineira: Hemerson Cleiton Almeida Souto, de 53 anos, e Arthur Schaper Berganholi, de 25, filho de Leonardo. De acordo com a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), ambos estão estáveis.

O acidente aconteceu no bairro Silveira, na região nordeste de Belo Horizonte, após a aeronave atingir um prédio de três andares.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Irã atinge navio de guerra dos EUA com mísseis no Estreito de Ormuz


Na manhã desta segunda-feira (4), as Forças Armadas iranianas anunciaram que teriam impedido a entrada de navios de guerra americanos no Estreito de Ormuz 'com um aviso firme e imediato' para se afastarem, seguido de um ataque.

A agência Fars informou que dois mísseis atingiram um navio da Marinha dos EUA perto da ilha de Jask, depois que este ignorou os avisos dos iranianos. Segundo fontes para a agência, a fragata americana não conseguiu prosseguir sua rota devido aos impactos e foi forçada a recuar e fugir da área.

A Guarda Revolucionária iraniana alertou que as movimentações marítimas que violarem as regras por ela anunciadas enfrentarão sérios riscos e embarcações não autorizadas serão interceptadas 'com o uso da força',  informou a mídia estatal iraniana.

Comunicado dos iranianos destaca que as empresas de navegação e as seguradoras de transporte devem estar atentas aos avisos da Guarda Revolucionária Islâmica.

As afirmações corroboram com um alerta de um oficial militar que 'qualquer força militar estrangeira, especialmente o exército invasor americano, será atacada' caso tente se aproximar ou entrar no Estreito de Ormuz.

O major-general Ali Abdollahi, comandante do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, o comando unificado das forças armadas iranianas, afirmou que o Irã protegerá a segurança do estreito 'com todas as suas forças', após os EUA prometerem guiar navios retidos através do ponto de estrangulamento para o transporte de petróleo.

"Mantemos e gerenciamos com rigor a segurança do Estreito de Ormuz com todos os nossos recursos e alertamos a todos os navios mercantes e petroleiros que se abstenham de qualquer trânsito sem coordenação com as forças armadas estacionadas no Estreito de Ormuz, para que sua segurança não seja posta em risco", disse.

Abdollahi disse ainda que a região está sob o controle das forças armadas do Irã e qualquer 'ação agressiva dos Estados Unidos para perturbar a situação só resultará em mais complicações e colocará em risco a segurança das embarcações' na área.

Itacoatiara Pro 2026: Niterói recebe maior festival de esportes ao ar livre do Brasil a partir de maio

 


A cidade de Niterói se prepara para receber mais uma edição de um dos principais eventos de esportes ao ar livre do país. Entre os dias 22 de maio e 7 de junho, acontece a 14ª edição do Itacoatiara Pro 2026, reunindo atletas e público em uma programação dedicada a diferentes modalidades.

O festival contará com competições de bodyboard, skate, surf, bodysurf e ciclismo, consolidando-se como um evento multiesportivo que valoriza tanto o desempenho profissional quanto a cultura dos esportes de ação. A proposta é transformar a cidade em um grande palco esportivo ao longo de mais de duas semanas.

De acordo com a organização, a expectativa é atrair praticantes, entusiastas e visitantes interessados em acompanhar de perto as disputas e a atmosfera característica do evento. A edição de 2026 marca a continuidade de uma trajetória já consolidada, sendo apresentada como a maior celebração de esportes ao ar livre do Brasil.

A contagem regressiva já começou: falta um mês para o início das atividades. A organização reforça o convite ao público para acompanhar a programação e vivenciar a experiência do festival na cidade.

CRACK: Prazer maior que sexo faz viciado fumar até morrer


"A primeira vez é difícil de esquecer, mas depois que usa quer fumar até morrer." A música O Caminho das Pedras, dos rappers do grupo Zona Proibida, virou hino marginal contra o crack. Nascidos na periferia da capital paulista, onde a droga mostra seu poder de destruição desde 1989, eles cantam a síntese de histórias muitos parecidas com as de quem vive ou viveu o ciclo consumo, abuso e dependência.

O crack é, na verdade, a cocaína – droga estimulante do sistema nervoso central, conhecida da medicina desde o século 19, mas usada desde o tempo dos incas. O princípio ativo da folha de coca é a eritroxilina. Isolada pela primeira vez em 1859 pelo químico alemão Albert Nieman, chegou a ser indicada para o tratamento de várias doenças por suas propriedades estimulantes e anestésicas até ser proibida por causar dependência.

A versão fumada da cocaína com o nome crack surgiu nos Estados Unidos entre 1984 e 1985, em bairros pobres de Nova York, Los Angeles e Miami. Seu precursor, no início daquela década, foi o freebasing (cocaína na forma de base livre), obtido da mistura de éter sulfúrico ao pó em meio aquoso aquecido. O processo transformava a droga em cristais para serem fumados. Como a mistura usada para conversão do pó em pedra – quase sempre feita em laboratórios caseiros – oferecia risco de explosão, caiu em desuso.

Para conseguir continuar fumando a cocaína, usuários descobriram que o mesmo resultado poderia ser obtido trocando éter sulfúrico por bicarbonato de sódio com amônia, na alquimia do pó para a pedra. A partir daí, ele se proliferou como epidemia nos Estados Unidos, virou a "droga dos excluídos", a "criptonita dos pobres" – pelo poder energizante e eufórico – e ganhou nome: crack, por causa dos estalos (cracking) produzidos pelos cristais queimando. No Brasil, os primeiros relatos de consumo da droga são de 1989, nos bairros de São Mateus, Cidade Tiradentes e Itaim Paulista, na periferia da zona leste paulistana. Seis anos depois, ela já era considerada uma epidemia.

O que faz do crack uma droga mais potente e perigosa para o usuário é sua forma de absorção pelo organismo. Por ser fumado, a rapidez e a intensidade com que age no cérebro são muito maiores. "O crack é a própria cocaína, mas em forma fumada. Qual é o problema disso? Ao fumar, você consegue atingir níveis sanguíneos muito altos em curto período de tempo. O potencial de dependência é maior e o potencial de agressividade ao organismo, muito maior. Nesse sentido, é mais perigoso", explica o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, especialista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e diretor do Programa de Orientação e Assistência a Dependentes (Proad).

No organismo, o crack leva de 8 a 15 segundos para chegar ao cérebro, graças à eficiente absorção dos alvéolos pulmonares. São eles que jogam a droga em peso na corrente sanguínea – no caso da cocaína cheirada, o efeito pode demorar até 15 minutos. Além de mais rápido, o crack também é mais potente. Estudos apontam que, quando a droga é fumada, 90% da eritroxilina (princípio ativo da coca) chega até o cérebro – se inalada, só 30% atingem o destino.

A química do crack causa uma baderna no corpo, com efeitos desejados – como sensação de mais energia, hiperatividade, bem-estar, elevação do estado de alerta – e indesejados – como aumento dos batimentos cardíacos, da pressão sanguínea e até alucinações, depressão, pânico e paranoia. Foi desses efeitos adversos que surgiram dois termos informalmente utilizados para classificar os dependentes de crack: "noia" e "zumbi". Carregados de preconceito, ambos fazem referência ao comportamento-padrão da maioria dos usuários compulsivos da droga: paranoico e insone – virando noites e noites acordado, por causa da exacerbação do estado de atenção. No submundo dos "mocós" e das cracolândias, esses apelidos acabaram absorvidos e é comum até os próprios dependentes se tratarem assim.


‘Invernado’. João, de Barretos, relata uso compulsivo pela droga

"A gente não pode dar o primeiro trago. Se der, pode ter certeza: fica quatro a cinco dias invernado (usando a droga)", conta João (nome fictício), de 29 anos, que começou a usar crack aos 12. Depois de uma internação em Bebedouro, município com 75 mil habitantes na região norte do Estado, ele conta que foi direto para a “biqueira”. "Achei rápido. Um mototáxi me levou e deixou na porta do traficante. Fiquei uma noite e um dia fumando, R$ 600, no meio do mato, sozinho com uma garrafa de 51, dois maços de cigarro, um BIC (isqueiro) e 20 gramas de pedra", conta ele, em nova tentativa de tratamento, no 13.º dia sem fumar crack, depois de 13 anos de uso. "De repente, você começa a ver trem rastejando no chão, barulho de viatura, sai correndo, perde droga, perde as coisas. Nesse dia, eu perdi R$ 200 no meio do mato por causa do maldito do crack. Com vergonha da minha mãe, voltei direto para a rua."

Luciano, de 35 anos, começou a usar a droga há 19 e até já ajudou a produzir crack. Ele trabalhou em um laboratório do crime onde era feita a transformação da pasta-base da cocaína em pedra, em Atibaia, de onde a droga era distribuída para a capital e o restante do Estado. "O crack vicia tanto porque é muito, muito forte. A primeira vez que você fuma, você sempre vai querer a segunda, a terceira e daí em diante vai.... É doce. Se você nunca usou, não tem como descrever", explica, hoje em uma comunidade terapêutica de Ibitinga.

A sensação de gosto doce é relatada pela maioria dos usuários. Por isso, como técnica alternativa para ajudar a suprir a carência da droga, balas costumam ser distribuídas aos pacientes. "Agora o crack bom não precisa ser doce, não precisa ter sabor de nada. Só tem de bater forte na sua mente, fazer você ter aquele momento, paralisar você naquele momento. Esse é o crack bom", diz Luciano.

Compulsão. Prazer gerado pela droga no cérebro faz usuário fumar até a exaustão e ignorar riscos

"Não tenho mais sensação de loucura. Remorso. Passa rápido. Para mim, é como acabei de falar, dá remorso. Pelo fato de passar o tempo, você usou, né... Acabou que ... acabou sendo usado né...", diz Sid (nome fictício), viciado há seis anos, ao tentar descrever a sensação provocada pela droga logo após fumá-la em plena luz do dia, sentado na calçada de uma avenida movimentada de São José do Rio Preto. "Só eloquência... aquela sensação de euforia, só desespero... mais nada." Não passa das 15 horas e é a quinta pedra do dia que ele usa.

O prazer que o crack causa – narrado por quase todos os usuários – e seu potencial de vício estão diretamente ligados aos efeitos provocados por ele no sistema de recompensa do cérebro. Artificialmente, eles geram uma sensação de prazer, bem-estar e euforia em grau muito mais elevado, por exemplo, que os gerados naturalmente pelo sexo ou por uma situação que causa felicidade.

"É o prazer de um orgasmo, irmão. Uma vez minha vizinha perguntou isso: 'o crack é bom?' Eu disse: 'Vixe, a droga é a coisa mais gostosa que tem, é melhor que sexo'", conta Jimi (nome fictício), de 39 anos, em uma das minicracolândias de São José do Rio Preto. "Crack dá grande prazer. Um jovem falou comigo outro dia que é 22 vezes mais forte que o sexo", confirma o padre Haroldo Rham, referência no tratamento de dependentes no interior.

A principal substância envolvida nessa rápida e potente sensação de prazer criada artificialmente é a dopamina – neurotransmissor que age entre neurônios conduzindo mensagens do cérebro ao resto do corpo. Quando realizamos algo prazeroso, a dopamina é liberada, cai no espaço entre os neurônios (chamado sinapse) e, como uma chave entrando na fechadura, conecta-se a outro neurônio, passando mensagem de prazer. A dopamina que sobra volta ao neurônio que emitiu o sinal e o prazer acaba. Quando o crack chega ao cérebro, ele fecha no neurônio que emitiu o sinal os canais de recaptura da dopamina, fazendo com que ela fique mais tempo emitindo a mensagem. É a alta dosagem da dopamina e de outros dois neurotransmissores (serotonina e noradrenalina) no sistema de recompensa que superestimula os músculos do corpo, causando sensações de aumento de energia, bem-estar e euforia.

A coordenadora de Saúde Mental da Prefeitura de São José do Rio Preto, Daniela Terada, avalia que o crack é hoje o maior risco entre as drogas em circulação no País. "É a mais forte e de adição mais violenta no Brasil. O indivíduo deixa de ser produtivo, de ter vínculo com outras pessoas – mais do que um usuário de álcool – e perde as referências e as condições gerais de saúde."

Alexandre (nome fictício), de 33 anos, que descobriu o crack há oito, confirma. "Foi tudo muito rápido. Quando começou o crack, já me internei rapidamente, foi avassalador. Comecei a emagrecer muito e a virar dois dias seguidos sem aparecer em casa. Com a cocaína eu voltava, mas com o crack não conseguia mais. Estamos falando de uma epidemia. Tirando a heroína, que não se usa no Brasil, é a droga mais violenta." Em tratamento em Vera Cruz, no Centro-Oeste paulista, ele conta como descobriu a droga. "Acabou a cocaína, eu falei (para um amigo): ‘Posso experimentar o crack’. Ele me deixou usar. Depois daí, nunca mais cheirei cocaína."


'Avassalador'. Internado em Vera Cruz, Alexandre trocou a cocaína pelo crack

A rapidez e a potência com que a droga age no cérebro estão relacionadas ao maior risco de o usuário virar dependente. No livro O Tratamento do Usuário de Crack (Editora Artmed), os psiquiatras Ronaldo Laranjeira e Marcelo Ribeiro afirmam que, quanto mais instantâneo, intenso e efêmero o efeito da droga, maior a possibilidade de ela ser consumida novamente, o que leva ao uso compulsivo. Enquanto o efeito da cocaína inalada pode durar até uma hora, no crack ele passa em média em 15 minutos.

"Você sente o prazer no primeiro trago. O primeiro é o melhor. Depois, nos outros você vai indo atrás do primeiro, vai buscando. Um só não vai satisfazer não. Você quer um, outro, outro, outro. Aí, R$ 200, R$ 300, o que tiver no bolso você leva", explica Carlos, em tratamento no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Garça.

Minoria fica viciada

O psiquiatra e professor da Unifesp Dartiu Xavier da Silveira considera mito a ideia de que quem experimenta o crack vicia automaticamente. "Existem estudos americanos que mostram que a maioria dos usuários de crack não é dependente. São pessoas que usam de forma ocasional, não tão compulsivamente e, obviamente, de forma menos destrutiva. Elas conseguem levar a vida relativamente normal. É uma minoria que se torna dependente. Claro que não é uma justificativa para uso do crack, não deve ser entendido como pouco risco relacionado ao uso de crack. Qualquer droga, mesmo usada de forma mais recreacional, envolve riscos."

No começo do mês, o neurocientista americano Carl Hart, um dos especialistas mundiais em dependência, defendeu a ideia de que é essa minoria que faz da droga um monstro aos olhos da sociedade e das autoridades. Segundo ele, os usuários viraram o bode expiatório do problema. "Antes de o crack chegar ao Brasil, a população das favelas não tinha problemas? Estudavam em universidades? Ocupavam cargos públicos? Eu visitei uma cracolândia. O crack não é o problema deles. A pobreza é o problema."

Em sua opinião, "é mentira que se fumar crack uma vez você pode se viciar pelo resto da vida". E citou o ex-prefeito de Toronto, Rob Ford, que renunciou ao cargo após assumir publicamente neste ano ter consumido a droga.

Estudo conduzido por Hart sustenta que 89% dos usuários não se viciam. Para comprovar a tese, ele ofereceu US$ 5 para que craqueiros deixassem de fumar a segunda pedra – só 11% preferiram a droga. O resultado, em sua opinião, é prova de que é a condição pessoal e social do indivíduo que o torna compulsivo. "Quando eles receberam uma alternativa para parar, fizeram decisões econômicas racionais. Então eu percebi que o crack não é o real problema."

"A gente sabe que a droga não é boa ou má. O que pode ser boa ou má é a maneira como você se relaciona com ela. A maior prova disso é o álcool – a grande maioria dos usuários não é dependente e usa de forma controlada. Isso é válido para drogas ilícitas", acrescenta Dartiu, da Unifesp.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dependência existe quando a pessoa usa a droga por impulso e de forma repetitiva (diariamente ou com frequência) para conseguir sensação de prazer ou evitar o desconforto gerado por sua ausência no organismo. Há dois tipos de dependência: física e psíquica. No primeiro caso, o corpo apresenta sintomas e sinais quando o usuário interrompe o consumo. É a chamada crise de abstinência, que existe no caso do álcool e da heroína. Outro mito, de acordo com Dartiu, é que, quando interrompido o uso, o crack causa crise de abstinência física. A dependência que ele provoca, no entanto, é psicológica. Quando fica sem a droga, o viciado tem sintomas de mal-estar e desconforto, como ansiedade, sensação de vazio, dificuldade de concentração, que variam de acordo com a pessoa.

"Sinto inquietação, coceira, irritação, principalmente irritabilidade", explica Michel, de 31 anos, um garoto rico do interior paulista, internado pela 14.ª vez, em uma comunidade terapêutica de Vera Cruz.

"O crack que dá muito prazer dura dez minutos e a pessoa entra em grande depressão. Então quer imediatamente mais crack para ter bem-estar. Ela já esqueceu o que é viver sóbrio. E daí sofre terrivelmente", explica o padre Haroldo Rham, referência no tratamento de dependentes no Brasil.

Outro problema do dependente que faz uso compulsivo e por longo período é que, com o passar do tempo, além de o cérebro aumentar sua tolerância em relação à química da droga, exigindo um consumo cada vez maior e propiciando um barato cada vez mais fraco e fugaz, surgem as sensações de perseguição, medo e alucinações relatadas pela maioria dos usuários ouvidos pela reportage

À saúde, o crack pode provocar danos irreparáveis, principalmente para o coração e o cérebro, ao reduzir a oxigenação e potencializar distúrbios mentais. "O indivíduo tem arritmias cardíacas, enfarte, uma subida rápida da pressão arterial e pode ter um derrame", explica Dartiu. "O principal dano é cerebral, a pessoa fica bem desorganizada", completa o psiquiatra Ronaldo Laranjeira. A quantidade e o tempo de uso de droga impactam nesses estragos. "São os microinfartos cerebrais, pequenas impossibilidades de irrigação de determinadas áreas cerebrais, que fazem a pessoa começar a ter alterações de capacidade de habilidades cognitivas, do tipo atenção, memória, capacidade de concentração", esclarece Dartiu.

"Tem coisas que eu não lembro. Sabe, as datas... Apesar de ter uma saúde boa, por todo esse uso de drogas eu não me lembro muito... Tem flashes que eu esqueço, porque teve muito neurônio queimado pelas drogas", diz Dênis (nome fictício), de 48 anos, filho de família rica que conheceu a cocaína aos 19 e terminou no crack.

O uso em grande quantidade e por longo período pode provocar uma série de danos também em outros órgãos vitais, como rins, fígado e pulmões. O último não só pelo calor da fumaça, da química ingerida e pela contração dos vasos sanguíneos, mas também por aumentar os riscos de pneumonia e tuberculose, doenças que se aproveitam da debilidade do organismo dos usuários, que deixam de comer, e do ambiente precário onde usam a droga. "O crack faz as pessoas emagrecerem, aumenta o risco de contrair HIV, tuberculose, ficar grávida. Quando elas chegam ao tratamento, estão muito debilitadas", explica Laranjeira.


Bebês em risco

Dois dados preocupantes, já apontados por pesquisas e constatados pelo Estadão ao entrevistar cinco mulheres dependentes (em recuperação ou não), são o uso frequente da droga durante a gravidez, um perigo em potencial ao bebê, e a promiscuidade sexual – para obter dinheiro ou droga. Quatro disseram ter usado crack durante a gestação, três delas até a última semana, e duas admitiram que faziam programa para usar a pedra.

A pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) encomendada pelo governo federal apontou que 10% das mulheres que usavam regularmente crack estavam grávidas no momento da entrevista e mais da metade já havia engravidado pelo menos uma vez após iniciar o consumo. Para os pesquisadores, coordenados pelos professores Francisco Inácio Bastos e Neilane Bertonio, trata-se de um dado preocupante, levando-se em conta os riscos para o desenvolvimento neurológico e intelectual das crianças geradas por mães usuárias.

"Fiquei até os três meses da gestação fumando crack", conta Vanessa, de 30 anos e na terceira gravidez, internada na clínica do Estado em Botucatu. A unidade, de internação breve, permite às gestantes passar toda a gravidez em tratamento. Ela foi enviada para lá de São Paulo, depois de ser resgatada na cracolândia da região da Luz. "O crack foi minha devastação, foi muito rápido. Comecei em abril. Em junho, eu já estava internada numa clínica. Porque foi muito: todo dia, todo dia, todo dia."

A 154 quilômetros dali, em Ibitinga, Cássia (nome fictício), de 28 anos, conta que teve três filhos e durante a gravidez de todos eles usou a droga até o parto. Nenhum, segundo ela, tem sequelas aparentes. "Mas meu neto teve de passar por tratamento psicológico depois que a Justiça deu sua guarda. Ela pegava a criança com 1 ano de idade e ficava no mato fumando pedra o dia inteiro. Colocava do lado e fumava, não deixava ninguém segurar a criança", conta a mãe da usuária, que a acompanhou até o serviço de saúde mental para pedir sua internação. "Quando meu neto chegou em casa, a gente dava carrinho para ele brincar e ele nem dava bola. Mas, se via uma lata no chão, pegava, colocava perto da boca e estalava os olhos", lembra. A dona de casa, que pediu que seu nome não fosse divulgado, teve três dos seis filhos viciados em crack - apenas a irmã de Cássia conseguiu abandonar o uso.

"Tô morrendo, tô morrendo por dentro, não tô vivendo, tô vegetando. Não consigo comer, não consigo dormir. Moro de frente para a biqueira. Tá osso, hein. Tô vendo criança de 9 anos fumar drogas, criancinha de 9 anos. O crack leva à morte. Não quero a morte, eu tenho filho", desabafa Cássia, que nas ruas trocava sexo por crack ou dinheiro para usar a droga.

Ela faz parte de uma estatística preocupante: o comportamento de risco das usuárias foi verificado na pesquisa da Fiocruz para a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad). O estudo apontou que elas têm muito mais risco de contrair doenças que a população em geral – entre os adictos de crack, por exemplo, há oito vezes mais casos de aids do que na média do povo brasileiro.

O risco de doenças indiretas é potencializado pelo local e modo usado pelos craqueiros para consumir a droga. A pedra é queimada em cachimbos improvisados, latas amassadas, copos plásticos com tampa metálica, bico de válvula de fogão e canos de PVC. Por conterem metais pesados e substâncias químicas, há consequências para o organismo – a fumaça tem alto potencial cancerígeno.

"O cachimbo custa de R$ 5 a R$ 10. Se estiver recheado, é mais caro", explica Jimi, de 39 anos, usuário de São José do Rio Preto, enquanto monta um cachimbo com um isqueiro cortado ao meio e um cano de antena. Nos pontos coletivos de consumo, é comum a troca de apetrechos. Assim como a mistura com cigarros (chamados de pitilho) ou maconha (mesclado).

Fonte: Infrográficos da Folha de S.Paulo